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Atualizado às: 19 de fevereiro, 2005 - 16h42 GMT (14h42 Brasília)
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Análise: a divisão entre xiitas e sunitas

Xiitas celebram o Ashura em Bagdá
Xiitas celebram o Ashura em Bagdá
Os insurgentes do Iraque, na maioria muçulmanos sunitas, usaram o festival religioso de Ashura para uma série de ataques contra a maioria muçulmana xiita do país.

O festival marca o aniversário do martírio de Imam Hussein, no século 7.

Trata-se de um festival que define a identidade xiita. E é ainda mais emotivo neste ano, quando os xiitas comemoram a vitória nas eleições nacionais.

Ao atacar mesquitas e fiéis xiitas, os insurgentes estão se vingando dessa vitória, buscando uma guerra civil e atacando um inimigo odiado.

É mais uma mostra de que a rivalidade entre xiitas e sunitas é tão importante para o futuro do Iraque quanto a luta contra as tropas estrangeiras que estão no país.

Inimigo principal

"A competição xiita-sunita pelo poder emergiu como o principal determinante para a paz e segurança no Iraque pós-Saddam", disse Vali Nasr, um especialista no Islã na Escola Superior Naval, em Monterey, na Califórnia.

A amargura da divisão é expressa mais duramente em uma carta, supostamente escrita pelo líder militante Abu Musab al-Zarqawi e interceptada no ano passado.

Na carta, ele descreveu os xiitas como "a serpente observadora, o escorpião malicioso e esperto, o inimigo espião e um veneno penetrante".

Para os militantes sunitas, como Zarkawi, os xiitas são inimigos não só por causa de sua aliança atual com os Estados Unidos. Eles são o inimigo principal.

Rivalidade

Os sunitas e xiitas são rivais desde que os dois setores do islamismo se separaram, no século 7.

Mas a intensidade dos conflitos modernos data da revolução iraniana de 1979.

A militância muçulmana xiita no Irã ababou sendo copiada pelos militantes sunitas dos países vizinhos, principalmente a Arábia Saudita.

A batalha entre xiitas e sunitas foi travada, com muitos mortos nas últimas duas décadas, no Paquistão, Afeganistão e outros países da região, como o próprio Iraque.

No Iraque, a repressão constante da maioria xiita por Saddam Hussein manteve a minoria sunita no poder, apesar dos árabes sunitas corresponderem a apenas 20% da população iraquiana.

Dilema

Agora é a vez dos iraquianos xiitas tomarem o poder, pela primeira vez desde a conquista otomana da região, em 1533.

Os xiitas correspondem a cerca de 60% da população iraquiana.

Mas sua vitória na eleição foi garantida por dois fatores: a lista unificada de candidatos que eles apresentaram com o apoio do Aiatolá Ali Sistani e o boicote sunita.

Agora cabe aos iraquianos xiitas decidir se responderão à extrema provocação desses ataques, ou se trabalharão com elementos mais moderados da comunidade sunita para construir um governo e um futuro unificado para o Iraque.

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