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Atentados antes de festividades no Iraque matam 30 | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Uma onda de atentados deixou mais de 30 mortos desde a véspera das festividades de Ashura, o dia mais importante do calendário religioso xiita, comemorado neste sábado. As fronteiras do Iraque foram fechadas, e a segurança reforçada, mas uma série de atentados suicidas e com carros-bomba atingiu Bagdá e os arredores da capital. No ano passado, explosões no dia de Ashura em Bagdá e Karbala mataram mais de 180 pessoas. O ataque mais recente aconteceu na manhã deste sábado, quando um carro estacionado em frente a um quartel da Guarda Nacional do Iraque, nas proximidades de Bagdá, explodiu, matando um soldado. Segundo a polícia, o atentado, que também deixou um civil e um guarda feridos, aconteceu em Baquba, 60km a noroeste da capital iraquiana, e foi executado por um suicida, que também morreu. Acusações Ainda neste sábado, os muçulmanos xiitas do Iraque acusaram rebeldes sunitas pelos ataques a mesquitas em Bagdá e Iskandariya na sexta-feira. O conselheiro nacional de segurança do país, Mouwaffaq al-Rubaie, acusou o líder militante Abu Musab al-Zarqawi e ex-correligionários de Sadam Hussein no Partido Baath de estarem arquitetando uma guerra civil sectária. "É uma idéia paradoxal que eles aleguem estar combatendo infiéis e, ao mesmo tempo, matem muçulmanos durante as orações de sexta-feira", disse al-Rubaie à agência de notícias Associated Press. Segundo o correspondente da BBC em Bagdá Jon Leyne, o dia de Ashura é um alvo óbvio para os insurgentes sunitas, principalmente depois da vitória apertada obtida pelos xiitas nas eleições de janeiro para o novo Parlamento de transição do Iraque. Na sexta-feira, véspera das festividades de Ashura, um carro-bomba explodiu na cidade de Iskandariyah, ao sul da capital iraquiana, Bagdá, matando pelo menos sete pessoas. Ashura Ashura é comemorado pelos muçulmanos por ser o dia em que Noé saiu da arca e o dia em que Moisés foi salvo dos seus captores egípcios pela mão de Deus. Para os xiitas, no entanto, o dia é marcado principalmente pela morte do imã Hussein, neto do profeta Maomé, no ano 680. O acontecimento aprofundou a divisão entre os muçulmanos xiitas e sunitas. O maior ataque aconteceu em uma mesquita em Dora, no sul da capital, onde um militante suicida detonou um cinturão de explosivos no meio da multidão. O segundo ataque ocorreu em uma mesquita no oeste de Bagdá, e o terceiro, perto de uma procissão xiita no nordeste da cidade. As fronteiras terrestres do Iraque com os países vizinhos permanecerão fechadas até a próxima terça-feira. Novo governo Em outro episódio de violência, o chefe da polícia em Najaf afirmou que seus dois filhos, que também eram policiais, foram mortos. Eles haviam sido seqüestrados durante uma peregrinação à cidade sagrada de Karbala. Os últimos ataques ocorrem num momento em que as negociações para a formação de um novo governo no Iraque começam a engatinhar. A Aliança Iraquiana Unida obteve 48% dos votos e conseguiu 140 cadeiras do total de 275 da nova Assembléia Nacional. O partido terá que formar uma coalizão para conseguir a maioria de dois terços necessária para eleger um presidente. A Assembléia também vai escolher dois vice-presidentes que, junto com o presidente, decidirão quem será o primeiro-ministro. Os partidos curdos, que ficaram em segundo na eleição, conquistaram 75 cadeiras, e o partido secular do primeiro-ministro interino, Ayad Allawi, 40 cadeiras. O atual vice-presidente interino, o xiita Ibrahim Jaafari, é visto como um favorito para substituir Allawi, embora ele enfrente outro nome forte, Ahmed Chalabi, que já teve fortes laços com o Pentágono, mas acabou perdendo o apoio americano. Já os curdos querem que seu líder, Jalal Talabani, seja o presidente do Iraque. |
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