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Teatros na Itália oferecem até presunto para atrair público | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A combinação entre presunto e teatro pode parecer estranha. Mas em Trento, no norte da Itália, desde que a companhia Teatro dell’Attimo di Rovereto resolveu presentear com 100 gramas do produto quem assistir a seus espetáculos, ela tem conseguido lotação esgotada todos as noites. A exemplo de outras companhias teatrais italianas, o grupo trentino estava preocupado com a queda constante de público e resolveu agir para reverter a situação e também garantir a sua própria sobrevivência. “É um momento muito delicado porque estamos vivendo uma recessão forte na Itália”, explica Massimo Arcangeli, secretário-geral da Associação Italiana de Espetáculos (Agis). “Em épocas como esta, uma família que precisa cortar despesas acaba deixando de investir em cultura.” Segundo Arcangeli, não é apenas a escassez de público do momento que preocupa as companhias teatrais italianas. O grande temor é que as pessoas percam definitivamente o hábito de ir ao teatro e o substituam por outras formas de lazer e diversão. Campanha Em Roma, onde estão as maiores e mais importantes companhias teatrais do país, a Prefeitura e a Agis iniciaram na semana passada uma grande campanha para trazer o público de volta ao teatro, envolvendo uma série de descontos para as peças em cartaz e contando com a participação do transporte público e de uma cooperativa de táxis. A promoção, que deverá ser levada a outras partes do país, oferece descontos de até 50% a quem comprar ingresso para o mesmo dia. Duas novas linhas de ônibus foram criadas especialmente para fazer o circuito dos teatros na hora da saída dos espetáculos. Quem preferir pegar táxi, basta ligar para a cooperativa que participa da promoção e trabalha com tarifas reduzidas. A pedagoga Ivana Sartori viu um dos espetáculos em promoção e aprovou a iniciativa. Mas, também, mandou um recado. “Deixei de ir ao teatro porque ficou caro demais para mim. Estou adorando poder pagar menos”, disse. “Acho que agora também deveria ser feita uma campanha para melhorar a qualidade dos espetáculos”. Cartazes informam sobre a campanha "Bene, Bravi, Bis!" em todas as partes: nas proximidades de restaurantes, escolas e até de supermercados. Uma página na internet dá detalhes das peças em cartaz. Uma estação de rádio e uma emissora de televisão criaram novos programas com espaço para entrevistas com atores e informações de bastidores. “A promoção foi estudada e projetada com o objetivo de recuperar o interesse do público”, afirma Arcangeli, informando que, somente no ano passado, foi registrada uma redução entre 15% e 20% em relação a 2003. “Pensando em dias muito piores, decidimos buscar todas as parcerias possíveis para reverter este quadro”. Protesto Giuseppina Manin, da editoria de cultura do jornal Corriere della Sera, diz que depois de o governo ter anunciado uma redução nas verbas para o financiamento de espetáculos teatrais em 2005, a situação se tornou ainda mais dramática para as companhias teatrais. “Todo o teatro italiano enfrenta dificuldades neste momento, especialmente os grupos pequenos”, diz. “Com menos dinheiro, as companhias foram obrigadas a inventar maneiras de dar continuidade a seus trabalhos. Algumas, estão parando os espetáculos no meio, para fazer propaganda dos patrocinadores.” Ainda neste mês, cem cidades italianas prometem protestar contra os cortes do governo. Uma manifestação nacional, organizada pela Agis, está prevista para a próxima segunda-feira em Roma. De acordo com a associação, com os cortes, 200 mil trabalhadores correm o risco de perder seus empregos. 'Todos ganham' Em Trento, o Teatro dell’Attimo di Rovereto festeja o sucesso da promoção “Se vai ao teatro, oferecemos a você o jantar”, parceria feita com uma empresa alimentícia e uma rede local de supermercados. Conforme Leonardo Franchini, diretor artístico do grupo, antes da promoção, menos de 50 dos 250 lugares do teatro eram ocupados. Agora, está sempre lotado e ainda há lista de espera. “É uma promoção sem perdedores”, afirma. “Ganha o fabricante do presunto, que tem seu produto divulgado. Lucra o supermercado, onde as pessoas vão pegar o produto e sempre acabam comprando alguma coisa a mais. E o mais importante: o público está feliz. Todos acham a promoção divertida e simpática”. Franchini não se importa que seu grupo esteja sendo conhecido como a "Companhia do Presunto". Segundo ele, o mais importante é que a iniciativa está dando certo. “O público voltou e ninguém precisou ser demitido”, diz. |
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