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Atualizado às: 13 de julho, 2004 - 13h00 GMT (10h00 Brasília)
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Peça sobre prisão de Guantánamo faz sucesso em Londres

Peça
Montagem fica em cartaz até setembro nos palcos londrinos
Poucas peças baseadas em eventos recorrentes no notíciário internacional conseguiram recentemente a proeza que Guantánamo vem conseguindo em Londres.

A peça, que relata a história de prisioneiros da base americana em Cuba, foi montada inicialmente por um pequeno grupo de teatro militante londrino, o Tricycle.

Mas o sucesso foi tão grande que Guantánamo foi transferida recentemente para o West End, região que concentra os principais teatros da cidade. A peça também pode ganhar em breve os palcos americanos.

Baseada em depoimentos de prisioneiros britânicos, familiares dos prisioneiros e declarações de políticos americanos e britânicos, a peça não esconde a sua intenção de fazer campanha por um julgamento justo para as centenas de pessoas presas na baía cubana.

Inocentes

"É bom deixar claro que não estamos afirmando que todas as pessoas presas lá são inocentes. Apenas achamos que elas não deveriam ser presas sem direito de serem julgadas", diz o ator William Hoyland, velho conhecido dos palcos londrinos, interpréte do secretário de Defesa americano, Donald Rumsfeld, em Guantánamo.

Gilliam Slovo, uma das autoras da peça, comenta a estrutura da obra: quando o público entra no teatro, os atores já estão no palco e, no fim, permanecem no palco - tornando difícil, por exemplo, a audiência perceber que Guantánamo acabou.

"O que os atores estão transmitindo para o público é a realidade de Guantánamo. Nós podemos continuar com as nossas vidas, mas aquelas pessoas presas lá não tem idéia de quando poderão sair. Elas foram deixadas no limbo", diz a autora, aclamada pela crítica britânica por sua minuciosa coleta de depoimentos sobre Guantánamo.

Produtores americanos se interessaram por Guantánamo e uma montagem da peça já está em andamento nos Estados Unidos, onde deve ser exibida em Nova York e em outras cidades.

"Esperamos que haja bastante público em Nova York, aonde a resistência contra o governo americano é grande", diz Hoyland, mesmo lembrando que a montagem - ao contrário do que ocorre em Londres - não será exibida em um grande circuito como a Broadway.

Impacto

Mas os atores e produtores esperam, mesmo assim, causar impacto suficiente antes mesmo das eleições americanas.

"Acho que a situação na qual o mundo se encontra favorece o surgimento de peças como Guantánamo, bem como de filmes como Farenheint 11 de Setembro: a administração americana mais extremista dos últimos tempos, a impunidade, guerras injustificadas. É bacana a arte estar se movimentando para protestar contra isso", diz Hoyland.

Para o ator, o fato de o West End exibir a peça também é um sinal de que a população britânica é capaz de consumir um outro tipo de teatro político: não aquele que apenas se refere à política, de ficção, mas também o de não-ficção como Guantánamo.

A peça fica em cartaz inicialmente até setembro.

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