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Ausência em roteiro de Amorim é criticada em Israel | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O governo israelense se disse "surpreso" com o fato de não ter sido incluído no roteiro da viagem do ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, ao Oriente Médio. "Estamos surpresos porque o governo brasileiro, com boa vontade, quer tomar parte no processo de paz que já estamos travando hoje com os palestinos. Mas eles falam só com um lado", disse à BBC Brasil Ilan Sztulman, da divisão de informações do Ministério das Relações Exteriores de Israel. Amorim regressou à Jordânia nesta sexta-feira, após ter sido recebido em Ramallah, na Cisjordânia, pelo presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, e pelo primeiro-ministro palestino, Ahmed Korei. "No final das contas, somos vizinhos (dos palestinos) e até para chegar ao território palestino o ministro brasileiro passou por Israel. Vamos encontrar a linguagem certa para perguntar o porquê desse comportamento e resolver nossas diferenças de pontos-de-vista", afirma Sztulman. Roteiro Até o dia 26 deste mês, Amorim visitará ainda Arábia Saudita, Omã, Catar, Kuwait, Tunísia e Argélia. É a segunda visita dele ao Oriente Médio. Na primeira, realizada em 2003, quando o ministro acompanhou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Israel não fez parte do roteiro. De acordo com Abraão Atzâmari, diretor do Departamento Internacional do Partido Trabalhista, uma visita a Israel deveria ser vista como "obrigatória" pelo Brasil, visto a intenção do governo Lula de ampliar o papel brasileiro no cenário internacional. "O Brasil, na administração de Lula, quer participar mais de atividades internacionais e integrar o Conselho de Segurança da ONU, por isso deveria considerar obrigatório vir aqui para conhecer os problemas locais e convidar ministros israelenses ao Brasil", afirma Atzâmari. Segundo ele, se o Brasil quer participar do processo de paz entre Israel e palestinos "tem que entender o que está se passando no país". "Uma visita ao local é a melhor forma. Ainda mais agora que existe em Israel um governo de unidade nacional, do qual nós, trabalhistas, estamos participando. Com isso, o Brasil perde pontos na região", diz Atzâmari. Sem rupturas Ainda que Israel se diga surpreso em não ter sido incluído no roteiro da viagem de Amorim, o representante israelense diz que não há qualquer sinal de estremecimento na relação entre os dois países. Segundo Ilan Sztulman, "as relações do Brasil e Israel são baseadas em coisas que a visita ou não de um ministro não irá mudar". "Reconhecemos o papel importante do Brasil na política latino-americana e mundial e gostaríamos de estreitar as relações com o governo brasileiro", acrescenta. De acordo com a assessoria do Ministério das Relações Exteriores, a exclusão de Israel no roteiro se deu porque a viagem visa principalmente preparar a cúpula entre países árabes e nações sul-americanas, que será realizada em maio, no Rio de Janeiro. O Ministério afirma que o relacionamento entre Israel e Brasil é muito bom e que o ministro do Comércio israelense, Ehud Olmert, deve visitar o Brasil em março. O próprio ministro Celso Amorim deverá ir a Israel entre junho e julho deste ano. |
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