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Atualizado às: 14 de fevereiro, 2005 - 14h30 GMT (12h30 Brasília)
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Análise: Papel de sunitas é crucial para democratização

Papel de sunitas será crucial para conter violência no país
Papel de sunitas será crucial para conter violência no país
A maioria xiita do Iraque, há muitos anos oprimida, se prepara para exercer uma posição de controle, após o anúncio dos resultados da eleição de 30 de janeiro.

Mas a não ser que os sunitas sejam envolvidos no processo político, a tarefa de democratização do país será colocada em risco e o esforço para conter os insurgentes estará ameaçada.

Os resultados eram mais ou menos esperados e mostram a grande tarefa que há pela frente. A Aliança Iraquiana Unida, a agremiação de xiitas aprovada pelo aiatolá Ali Sistani, obteve 48% do total de votos.

Em segundo lugar, ficaram os curdos, com 25% e em terceiro, os partidários do premiê interino Ayad Allawi, um xiita secular.

Poder parcial

Os resultados não conferem aos xiitas poderes absolutos.

A primeira tarefa da assembléia nacional do país será eleger um conselho presidencial formado por três pessoas. Esse conselho necessitará da aprovação de dois terços dos parlamentares. Será necessário, portanto, formar uma coalizão.

Os sunitas ou foram excluídos da eleição devido a atos de violência ou se auto-excluíram devido a boicotes ao pleito.

Os sunitas estão por trás da violência no país, por isso terão de ser aplacados, caso contrário o país não será pacificado.

Como isso pode ser feito? A principal tarefa da nova assembléia - tarefa mais importante até que a do próprio governo - é estabelecer uma nova constituição e abrir caminho para a realização de eleições gerais em dezembro.

O período de atuação da assembléia será de apenas nove meses. Mas sua natureza temporária será também uma de suas virtudes.

Isso porque ela será capaz de trazer representantes sunitas, primeiramente para o governo e, futuramente, para os trâmites dentro dos quais a Constituição será estabelecida.

Por isso, não é apenas importante que os sunitas participem do processo. É vital. Isso porque haverá um plebiscito sobre os termos da Constituição em outubro e os sunitas podem bloquear o referendo, se conseguirem fazer com que dois terços dos eleitores em três províncias se oponham à sua realização.

Poder de barganha

Caso as negociações para criar a Constituição sejam ameaçadas, o referendo pode ser adiado em até seis meses.

Isso dá aos sunitas um bom poder de barganha, caso eles queiram usá-lo.

Eleições por si só não são uma garantia de paz em tempos de guerra civil. E o que os insurgentes estão tentando insuflar é uma guerra civil em larga escala.

Nós vimos isso acontecer em El Salvador, em 1982, quando eleitores correram às urnas enquanto guerrilheiros eram alvejados por helicópteros nos vulcões que cercam a capital do país, San Salvador.

As eleições transcorreram com sucesso, mas a guerra civil durou mais oito anos.

Iraque
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