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Israel e palestinos anunciam cessar-fogo | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, e o primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon, anunciaram um cessar-fogo entre os dois lados, em declarações recheadas de otimismo e advertências sobre a fragilidade do acordo. As declarações foram feitas depois da reunião de cúpula, nesta terça-feira, no balneário egípcio de Sharm el-Sheikh, às margens do Mar Vermelho. O encontro também teve a presença do presidente do Egito, Hosni Mubarak, e do rei Abdullah, da Jordânia. "Chegamos a um acordo para acabar com todos os atos de violência contra israelenses, por qualquer palestino, em qualquer lugar. A paz que vamos viver é uma nova etapa na história de nosso povo", disse Abbas. "Precisamos agora de força e responsabilidade para alimentar e desenvolver esta oportunidade. Devemos trabalhar para proteger o que começa agora e precisamos pôr em prática todos os mecanismos que permitam a sua implementação." Minutos depois, o primeiro-ministro Sharon confirmou em sua declaração que, na reunião com Abbas, ficou acertado que "todos os palestinos vão parar todos os atos de violência contra Israel em todos os lugares e que, paralelamente, Israel vai interromper as ações militares contra palestinos em todos os lugares". "Temos de avançar cuidadosamente, pois esta é uma oportunidade frágil que os extremistas vão tentar explorar. Apenas esmagando o terror e a violência vamos conseguir ser bem sucedidos", ressalvou Sharon. Comissões Sharon também disse que os israelenses vão libertar centenas de prisioneiros palestinos em "um gesto de boa vontade". "Vamos formar uma comissão conjunta para discutir futuras libertações (de prisioneiros palestinos)", completou. O líder israelense também disse que o seu governo pretende devolver a manutenção da segurança de algumas cidades palestinas ao governo de Mahmoud Abbas. Sharon não se referiu, no entanto, à formação de uma comissão para discutir também este tema, como esperavam os palestinos. "Israel não tem o desejo de governar vocês (palestinos) ou de controlar o seu destino", disse. "Israel acordou de muitos sonhos e vocês também têm de deixar de lado sonhos irreais e subjugar as forças que se opõem à paz", disse Sharon numa referência aos grupos militantes palestinos – como o Hamas e o Jihad Islâmico – que costumam estar na linha de frente das ações armadas contra Israel. "Ações, e não palavras, são o caminho para que consigamos criar dois Estados vivendo lado a lado e em paz", disse Sharon. "Temos uma oportunidade de sairmos da trilha de sangue com a qual fomos forçados a conviver nos últimos quatro anos (desde o início do levante palestino em setembro de 2000)". Dois Estados O presidente Abbas fez questão de dizer que considera a trégua acertada no Egito um passo adiante no chamado mapa da paz, o plano assinado em 2003, nesta mesma cidade de Sharm el-Sheikh, que prevê etapas progressivas dos dois lados até o estabelecimento, a longo prazo, de um Estado palestino e outro israelense. "Temos de avançar nas discussões a respeito da situação final (a criação de dois Estados) que acabe com a ocupação iniciada em 1967", cobrou Abbas. Antes do encontro, os palestinos queriam que a cúpula avançasse mais em questões políticas e nas negociações do plano de paz, enquanto a posição israelense – que acabou prevalecendo – era se concentrar na segurança e deixar negociações mais detalhadas para depois da trégua. Abbas disse ainda achar necessário que o processo de paz também inclua discussões sobre a Síria e o Líbano, que têm áreas ocupadas por Israel desde a guerra de 1967. Egito O presidente egípcio Hosni Mubarak – o anfitrião do encontro – foi o primeiro a falar ao fim da reunião e prometeu total apoio do seu país ao processo de paz. "Viramos uma página sangrenta da história e estamos diante de uma grande oportunidade. Temos de ajudar os palestinos a reconstruir a sua infra-estrutura e esperamos que o plano de Israel de retirada da Faixa de Gaza seja promovido em cooperação com as autoridades palestinas", disse Mubarak. O encontro também acabou tendo como efeito um avanço na retomada das relações de Israel com o Egito e com a Jordânia. Os governos dos dois países árabes informaram que nos próximos dias devem enviar embaixadores a Tel Aviv para restabelecer relações diplomáticas formais com Israel. Os egípcios e jordanianos – aliados do Ocidente e com relações muito melhores com Israel que com outros países árabes – são considerados peças-chave nas negociações para a paz no Oriente Médio Sem surpresas Um dos principais negociadores palestinos, Saeb Erekat, disse que a cúpula não trouxe surpresas para quem estava envolvido nas negociações, porque tudo o que foi anunciado correspondeu ao que vinha sendo acertado nas últimas semanas por representantes dos dois países. "O próximo passo é realizarmos as reuniões das comissões que têm de dar continuidade ao que está começando aqui", disse Erekat. Uma surpresa, no entanto, acabou acontecendo depois de terminada a cúpula: uma autoridade israelense informou que o primeiro-ministro Sharon teria convidado Mahmmoud Abbas para uma visita à fazenda dele no Sul de Israel. Há relatos ainda não confirmados de que o líder palestino teria aceitado o convite. |
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