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Tire suas dúvidas sobre a reunião de Sharm Al-Sheikh | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Os líderes da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, e de Israel, Ariel Sharon, estão se encontrando nesta terça-feira em Sharm Al-Sheikh, no Egito, na primeira reunião do tipo desde o começo da atual Intifada, em 2000. Leia o texto abaixo para saber mais a respeito do encontro: Como se conseguiu chegar a esta reunião, após tantos anos de conflitos? A reunião está acontecendo menos de um mês depois de Mahmoud Abbas ter sido eleito presidente da Autoridade Palestina. Nesse período, ele conseguiu convencer as organizações militantes palestinas a aderir a um cessar-fogo informal. Em contrapartida, Israel reduziu suas operações militares nos territórios palestinos. Essa breve trégua e o endosso de Israel ao escolhido pelos palestinos para substituir Yasser Arafat abriram caminho para a reunião. O que se está esperando da reunião? É provável que se trate de um encontro mais para discursos e grandes declarações do que para discutir questões contenciosas. O lado palestino vai formalizar o cessar-fogo com uma declaração oficial do fim da violência contra os israelenses. Mas é preciso lembrar que os militantes podem não se sentir comprometidos com isso, especialmente se Israel atacar seus membros ou mantiver as atividades de assentamento. O lado israelense deve apresentar uma posição mais matizada, dizendo que, se houver calma por parte dos palestinos, o Exército israelense não precisará fazer ataques nos territórios deles. Quais os desafios pela frente? Os dois lados devem criar comitês para tratar das questões da liberação de prisioneiros palestinos por Israel e da retirada das tropas de cidades palestinas na Cisjordânia. Se o cessar-fogo se sustentar, poderá ser viabilizada uma volta a negociações de paz substantivas sobre um acordo, embora isso esteja um pouco distante. Esse processo pode ser reforçado por um aparentemente revigorado envolvimento dos Estados Unidos no segundo mandato do presidente George W. Bush. Esse envolvimento renovado é resultado da morte do líder palestino Yasser Arafat e do êxito de Abbas em conter temporariamente os militantes. Israel adotou seu plano unilateral de retirada de tropas e colonos da Faixa de Gaza e de partes da Cisjordânia. A esperança é que isso ajude a estimular o progresso. Mas muitos palestinos sentem que Israel vê a retirada de Gaza como um meio de reforçar sua posição em áreas ocupadas da Cisjordânia, onde vive a maioria dos colonos judeus. Esse é o começo do fim do conflito? Não necessariamente. O cessar-fogo informal pode ser vítima da impaciência ou de provocações de qualquer um dos lados. Israel suspeita de qualquer coisa que não seja o desarmamento geral dos grupos militantes. Os palestinos suspeitam que Israel está conseguindo o que quer sem ter que fazer concessões sobre a ocupação militar dos territórios deles. Até mesmo uma reunião bem-sucedida em Sharm Al-Sheikh só vai ajudar a trazer israelenses e palestinos de volta ao ponto em que estavam quatro anos atrás, no início da Intifada. A solução de todas as questões difíceis que os separa ainda permanece algo do futuro distante. O que é novo, e a principal fonte de esperança renovada, é a aparente determinação de todos os lados de chegar a algum lugar desta vez. |
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