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Atualizado às: 08 de fevereiro, 2005 - 19h06 GMT (17h06 Brasília)
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Cessar-fogo é avanço, mas ainda há obstáculos

Mahmoud Abbas e Ariel Aharon
Acordo entre Abbas e Sharon é promissor, mas depende de atos
A declaração mútua de cessar-fogo dos líderes israelense e palestino cria um momento de esperança para o Oriente Médio. Mas o momento deve ser aproveitado se não for para passar como outros antes dele.

Em 1979, o então presidente americano Jimmy Carter conseguiu fazer com que israelenses e egípcios assinassem o Acordo de Camp David. Levou à paz entre os dois, mas não levou os palestinos a nada.

Em 1993, o então presidente americano Bill Clinton testemunhou a assinatura do Acordo de Oslo entre palestinos e israelenses, mas isso, da mesma forma, não levou a nada.

Esse é um momento de promessa – promessas que terão que ser mantidas. Os verdadeiros sinais encorajadores são a linguagem, a atmosfera, as relações pessoais.

No entanto, sempre nessa região há problemas reais, os assentamentos, os refugiados, as fronteiras, o status de Jerusalém.

Esses terão que ser tratados e resolvidos para que as boas vibrações de Sharm el-Sheikh não se transformem em ecos de bombas e balas novamente.

Foi interessante que ninguém mencionou Yasser Arafat. Mas todos sabiam que a morte dele criou essa oportunidade. Ele era o fantasma que ninguém queria que interrompesse o banquete.

A velocidade desse cessar-fogo certamente veio como uma surpresa.

A linguagem usada nas declarações também é algo positivo.

O primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon, martelo dos palestinos na guerra, mudou seu tom para palavras de paz e se dirigiu ao povo palestino.

"Eu asseguro a vocês que temos a intenção genuína de respeitar os seus direitos de viver de forma independente e com dignidade. Eu já disse que Israel não deseja continuar a governar vocês e controlar o seu destino", disse ele.

Ele falou de "sonhos" que os israelenses tiveram que abandonar, sonhos, provavelmente, de colónias israelenses se estendendo do Mediterrâneo à Jordânia.

Ele apelou aos palestinos para que sejam "realistas ao desistir de algumas visões".

O novo presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, que também deve ter tido seus sonhos de voltar à casa da família onde é hoje a cidade israelense de Safed, na Galiléia, disse: "Uma nova oportunidade para a paz nasceu hoje. Vamos prometer protegê-la".

Isso é, segundo ele, "o começo de uma nova era, o começo de paz e esperanças".

Também houve referências nos dois lados aos perigos que existem pela frente.

Sharon falou da importância de "quebrar o mecanismo do terror" e da necessidade de "cortar o fluxo de radicais".

Abbas se referiu especificamente a alguns problemas atuais para os palestinos, assentamentos, prisioneiros, barreira de segurança que Israel construiu.

Essas declarações foram mais do que indicações. Foram alertas, porque tudo isso pode ainda dar errado.

A intifada de quatro anos (o segundo levante palestino, na verdade) acabou, presumindo que a trégua vai durar, com perdas e ganhos para os dois lados.

Mas os israelenses permanecem em posição mais forte, provavelmente.

É verdade que eles estão deixando Gaza e quatro pequenos assentamentos da Cisjordânia neste ano.

Também é verdade que a infra-estrutura do grupo militante Hamas está intocada.

Mas agora os israelenses têm um fim prometido da violência, sem um fim à posse deles de muitas das terras que os palestinos querem.

Por outro lado, os palestinos têm a promessa de um Estado.

Isso não era sequer mencionado no Acordo de Camp David. Os palestinos eram muito pouco eles mesmos. Camp David disse simplesmente que "os palestinos participarão na determinações de seu próprio futuro", sob a égide do Egito ou da Jordânia.

Agora, os palestinos estão na mesa de negociações.

É improvável que eles consigam tudo o que querem, essencialmente a volta às fronteiras de 1967, incluindo a restauração de Jerusalém.

Se eles não conseguirem, terão que decidir se retomam a intifada ou se aceitam algum tipo de acordo interino pelo qual a Palestina poderia ser criada como um país apenas com fronteiras provisórias.

Não seria tudo, mas seria alguma coisa.

Mas a contemplação dos problemas apenas para chegar a esse estágio devem induzir a uma certa cautela nas comemorações de Sharm el-Sheikh.

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