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Atualizado às: 27 de janeiro, 2005 - 14h48 GMT (12h48 Brasília)
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Análise: Eleição não é passo definitivo para democracia no Iraque

Soldado ao lado de cartazes da campanha eleitoral
Papel das tropas estrangeiras após eleições é uma das questões
A eleição de domingo no Iraque está parecendo cada vez mais um estágio intermediário e não a iniciativa definitiva na direção da democracia.

Mas ainda não está claro se elas serão um passo no sentido da ordem ou do caos.

Os pessimistas, e precisa ser dito que eles são a maioria atualmente, apontam para a avalanche de violência que está sobrecarregando as forças de segurança iraquianas e que vai tornar difícil o voto para a população no centro do Iraque.

"A eleição é como rearrumar as cadeiras do convés do Titanic", diz o especialista em Iraque da Universidade de Londres, Toby Dodge, um pessimista persistente.

'Vácuo'

"Há um vácuo de segurança. Ninguém controla o país. A Assembléia vai ficar debatendo assuntos obscuros da arquitetura democrática enquanto os iraquianos querem segurança. Vai para a Zona Verde (a área governamental em Bagdá, sob proteção) e nunca vai voltar", acrescentou Dodge.

Os otimistas argumentam que reconstruir o Iraque vai demorar, mas vai acontecer.

Um deles é a parlamentar britânica trabalhista Ann Clwyd, representante especial do governo da Grã-Bretanha para os direitos humanos no Iraque.

Em recente discussão entre parlamentares sobre o Iraque, ela previu que "em cinco anos o Iraque vai ser uma sociedade democrática".

"Tenho fé na força da sociedade civil do Iraque", disse ela.

É uma marca da situação atual do Iraque que um otimista trabalha com horizonte de cinco anos em relação ao tema dos avanços.

É importante notar que a eleição não é para um governo totalmente constitucional e, portanto, não havia previsão de que seria o estágio final da democratização do Iraque.

A eleição é para a Assembléia Nacional de Transição, de 275 membros, que escolherão um presidente e redigirá uma Constituição até 15 de agosto.

Haverá, então, um plebiscito em 15 de outubro e, se aprovada, a nova Constituição formará a base para eleições plenas em 15 de dezembro, levando a um governo totalmente constitucional em 30 de dezembro.

Sunitas

Um grande problema que já aparece no horizonte é a provável falta de representantes sunitas na Assembléia. Alguns sunitas estão boicotando a eleição e outros podem estar com medo de participar, devido ao clima de violência nas áreas em que moram.

Em contraste, a maioria xiita está participando com algum entusiasmo, bem como o terceiro maior grupo do Iraque, os curdos.

Uma graduada fonte do governo britânico disse recentemente que a representação sunita será uma grande questão nos próximos meses. É provável que políticos sunitas graduados tenham que ser cooptados para eventuais comitês que sejam formados para debater o texto constitucional.

Tudo isso terá que acontecer em um contexto de turbulência, cujo impacto não pode ser facilmente previsto.

Tropas estrangeiras

Outra grande questão vai ser o futuro das tropas da coalizão liderada pelos Estados Unidos.

A Aliança Unida Iraquiana, liderada pelos xiitas e que provavelmente vai formar o coração do novo governo, quer um cronograma para a retirada, embora não tenha dito quê cronograma tem em mente.

Em junho haverá uma revisão, determinada pelo Conselho de Segurança da ONU, sobre o papel das tropas estrangeiras no país.

Mas essa é uma questão delicada. Pode se argumentar que a presença de forças estrangeiras alimenta a insurgência. Mas outros dizem que uma retirada precipitada pode levar à guerra civil e que o Iraque poderia se separar em três áreas, sunita, xiita e curda.

Por todas essas razões, as eleições no domingo estão longe de marcar o fim do caminho.

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