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Atualizado às: 26 de janeiro, 2005 - 21h39 GMT (19h39 Brasília)
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Eleição dificulta negociação para libertação de brasileiro, admite embaixador

Carteira de mergulhador de João José Vasconcelos Jr.
Medidas de segurança vão limitar movimentação no Iraque
O embaixador brasileiro na Jordânia, Antonio Carlos Coelho da Rocha, admitiu nesta quarta-feira que a proximidade das eleições no Iraque, que serão realizadas no domingo, poderá prejudicar uma eventual negociação com os seqüestradores do engenheiro brasileiro João José Vasconcelos Júnior.

“O que esses grupos querem é justamente isso, atrapalhar o processo eleitoral”, afirmou o embaixador. “Mas vamos esperar para ver o que acontece nas próximas 48 horas, pode haver também algum desdobramento”, completou.

A opinião é compartilhada pelo analista político do jornal jordaniano Al-Ghadd, Mohammed Aburumman, que já teve contatos com grupos na Jordânia ligados à rede de Abu Musab Al-Zarqawi, hoje o insurgente mais procurado no Iraque.

“Os grupos militantes querem mostrar à população iraquiana que são fortes, que são ativos, principalmente nesse período de eleições”, afirma.

Restrições

Fontes no Iraque também observam que o momento é ruim para negociações já que a movimentação de pessoas e de veículos estará restrita a partir de sexta-feira, como parte das medidas de segurança anunciadas pelas autoridades iraquianas.

Para o analista Aburumman, por causa desse cenário desfavorável, o governo brasileiro deveria redobrar os seus esforcos nesse período e tentar obter um canal de comunicação com os seqüestradores através de contatos informais.

“A melhor maneira de tentar obter a libertação do brasileiro é através de contatos informais dentro do Iraque e não através de contatos formais”, diz ele.

O governo do premiê interino iraquiano, Ayad Allawi, e as forças americanas no país vão adotar uma série de medidas para tentar impedir atentados rebeldes durante as eleições.

Grupos rebeldes sunitas, que pregam um boicote ao pleito, têm atacado alvos identificados com o processo eleitoral, numa tentativa de intimidar os eleitores a não votar no domingo.

Numa fita de áudio divulgada no fim de semana, Abu Musab Al-Zarqawi declarou guerra às eleições.

Entre as medidas anunciadas para reforçar a segurança está o fechamento das fronteiras do dia 29 ao dia 31 de janeiro. Isso porque há suspeitas de que a insurgência no país tem sido fomentada por militantes que vêm de outras regiões, principalmente da Síria.

Também será proibida a circulação de motoristas sem autorização oficial, para prevenir ataques de carros-bomba, e os toques-de-recolher existentes serão ampliados para manter civis e militantes fora das ruas.

O porte de armas também será proibido, e o aeroporto de Bagdá deve ficar fechado por dois dias.

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