|
Iraquianos são treinados em Amã para observar eleição | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A violência no Iraque pode estar aumentando rapidamente com a proximidade das eleições, mas isso não desanima um médico de 30 anos que veio a Amã, na Jordânia, para participar de um treinamento dado pela União Européia (UE) para iraquianos que trabalharão como observadores no pleito do dia 30. "As eleições representam um passo positivo. Essa é a melhor maneira de se obter um governo legítimo, que represente o povo iraquiano", diz ele, que preferiu manter seu nome em sigilo. Assim como o médico, outros 50 iraquianos participam do treinamento de três dias realizado na capital jordaniana. Antes deles, quase 150 fizeram o mesmo. Eles voltam ao Iraque na terça-feira com uma dupla missão: além de inspecionar o transcorrer das eleições, eles também irão treinar outros iraquianos para a mesma função. "Cada um deverá treinar de 60 a cem outras pessoas por dois dias", afirma Maria Espinoza, uma das responsáveis pelo treinamento. A maioria que participa dessa última seção de curso é de médicos e advogados. Todos vivem no Iraque e são afiliados a organizações não-governamentais que atuam no país. Medo Poucos estão dispostos a dar entrevistas. Eles não podem ser identificados, e qualquer a foto deve ser cuidadosamente tirada para que nenhum rosto seja mostrado. "Essas pessoas se arriscaram muito saindo do Iraque para vir até aqui. É preciso muita convicção na democracia e em todo o processo", diz ela. Os futuros observadores recebem informações sobre como proceder desde dois dias antes da votação, quando a campanha eleitoral será interrompida. Na sala do hotel em Amã onde o curso é realizado foi montada uma estrutura semelhante ao que eles devem encontrar no dia da votação, com as cabines, as urnas, a lista de eleitores. Além de ouvir as instruções dadas pelos treinadores, eles também realizam uma simulação de todo o processo, desde a abertura dos locais de votação até a contagem dos votos. O treinamento transcorre de maneira descontraída, mas todos sabem que não será fácil. "É claro que eu tenho medo", diz o médico iraquiano. "Mas eu acho que vale a pena." Problemas Ele diz reconhecer que existem muitos problemas em relação aos preparativos para as eleições, e as circunstâncias sob as quais elas serão realizadas. "Por causa disso, as pessoas não sabem exatamente o que esperar das eleições ou do que acontecerá depois delas", afirma o médico. Mesmo assim, ele diz com convicção que os iraquianos, de maneira geral, apóiam o processo. "Apesar de a comunidade internacional acreditar que os iraquianos estejam intimidados, todos querem que as eleições sejam realizadas e esperam que isso lhes dê uma sociedade mais democrática." Outra médica de 29 anos, que também não pode ser identificada, concorda. "Existe uma vontade muito grande no povo iraquiano pelas eleições. Pessoalmente, acredito que tudo dará certo", afirma ela. |
| |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||