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Salão do carro de Detroit abre em clima sombrio | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A tradicional feira de automóveis de Detroit, nos Estados Unidos, foi aberta neste ano em um clima sombrio – afinal, a hegemonia do evento está sofrendo com o desafio de um concorrente de Los Angeles. A feira, cujo nome é North American International Auto Show (Naias), começou no domingo – uma semana mais tarde do que em outros anos. Como resultado, “Motown” (como Detroit é conhecida) foi ignorada em favor do evento californiano para a realização de grandes lançamentos. Por exemplo, a Ferrari escolheu Los Angeles para apresentar seu novo conversível, o Superamerica, assim como a Bentley, que levou o seu cupê Arnage Drophead para a Califórnia, e não para Michigan. Mesmo a Ford, maior símbolo da indústria automobilística de Detroit, relegou sua cidade natal a um segundo plano ao preferir apresentar o seu novo Mustang – que a mídia especializada descreveu como o melhor já produzido – no salão de Los Angeles. “Enquanto no passado os salões de Detroit ofereceram um grande sucesso ou dois, neste ano é provável que seja lembrado por veículos destinados a dar um novo impulso para uma marca ou expandir uma linha”, disse a revista especializada AutoWeek. Status Mas o fato de ter perdido os lançamentos mais vistosos para Los Angeles não deve implicar que o salão de Detroit perca o status de mais importante feira do setor automobilístico. O Naias ainda é o lugar onde os executivos das empresas se misturam com jornalistas especializados para discutir estratégias para o ano seguinte, dão uma espiada na concorrência e aplaudir – ou lamentar – a fraqueza histórica do dólar americano. Muito está em jogo. Quase 17 milhões de carros são vendidos nos Estados Unidos todos os anos, e em anos recentes a proporção de veículos importados tem aumentado. Esta tendência pode estar prestes a ser revertida. O dólar fraco tornou mais caro para os americanos comprar carros feitos em outros países e está fazendo as montadoras européias mudarem a forma como gerenciam seus negócios. As alemãs Volkswagen, BMW e Mercedes-Benz estão se preparando para incrementar a sua capacidade de produção em solo americano. Americanos As duas gigantes americanas, a General Motors e a Ford, também estão sendo afetadas. No ano passado, elas deixaram um pouco de lado seus esforços para se proteger contra o risco cambial para avaliar a lógica por trás de manter a produção na Europa de modelos de luxo de marcas como a Saab, Volvo, Jaguar e Land Rover. Entre os modelos americanos a serem apresentados em Detroit, o mais polêmico é o Dodge Charger, do qual está sendo mostrado um protótipo no salão. O Charger, nos anos 1970, era um carro famoso por seu alto consumo de combustível; desde então, o nome vem sendo usado para uma série de lançamentos da Dodge (subsidiária da DaimlerChrysler), alimentando a fúria de fãs do carro original que consideram seus sucessores muito inferiores. Mas a DaimlerChrysler acredita que o novo modelo se aproveite do dólar mais fraco e ganhe espaço no mercado em detrimento de seus concorrentes japoneses. Japão Mas esforços neste sentido por enquanto têm fracassado em conter as montadoras japonesas, que levaram muita coisa nova para Detroit. Destaques incluem o Nissan Azeal – um carro esportivo apelidado de “foguete de bolso” – o supercarro Lexus LF-A, da Toyota. Tratam-se de carros conceituais que dão uma idéia de como as duas empresas pretendem ganhar espaço no mercado americano. Esses dois modelos futurísticos vão se unir ao novo Eclipse, o carro esporte da Mitsubishi, e a picape Raider, da mesma empresa, também lançados em Detroit. |
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