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Salão de Paris tem carros mais potentes e controvérsias | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A indústria automobilística mostra uma série de novos carros de grande potência em paris, mas o centro das atenções está no impacto ambiental e nas desastrosas relações trabalhistas que estão desequilibrando muitas fábricas. Segundo os organizadores, haverá mais de 60 lançamentos mundiais no Salão do Automóvel de Paris este ano. Na realidade, muitos deles são meramente relançamentos de modelos antigos, só que desta vez com motores mais potentes. Isso parece indicar uma surpreendente falta de consciência das fábricas de automóveis a respeito do efeito que os atuais altos preços do petróleo têm sobre o apetite dos motoristas para carros que consomem bastante combustível. Loucura E está cada vez mais claro que vários governos não vêem essas máquinas com bons olhos. A própria cidade que sedia o evento, Paris, tem batalhado para que carros maiores e mais potentes - em particular os veículos utilitários esportivos – sejam proibidos por causarem danos ao meio ambiente. Mas, a essas alturas, é obviamente muito tarde para que os fabricantes de automóveis revisem seus lançamentos. O show precisa continuar. A indústria britânica Aston Martin assumiu a liderança com o Vanquish S – em que o "S" representa 60 cavalos a mais no motor V8, comparado às versões anteriores do modelo, levando sua potência para 520 cavalos. A BMW também está no show com o relançamento do M5. Nunca antes a fábrica da Bavária apresentou uma máquina tão poderosa, embora ela não seja revolucionária. Para aqueles que estão procurando verdadeiramente força e imagem, o salão apresenta a F430, que substitui a Ferrari 360 Modena. E para os que são malucos de verdade há o novo carro do Grupo Volkswagen, o Bugatti Veyron, ou o Lamborghini Murcielago Roadster, que é um pouquinho menos espetacular. Alternativas verdes Mas esta é a Europa e, aqui, dirigir carros potentes não é a mesma coisa que nos Estados Unidos. Isso pode explicar, pelo menos em parte, a abordagem suave da Volvo, que faz parte do Grupo Ford. A Volvo está em Paris para mostrar seu veículo utilitário esportivo XC90, só que desta vez com um motor V8 4.4, que pode colocar a fábrica sueca nas listas negras de vários governos europeus. Isso apesar da insistência da Volvo de que seu motor é mais limpo o de outros modelos de oito cilindradas. Para motoristas ecológicos, isso simplesmente não é o suficiente, visto que a subsidiária de luxo da Toyota, a Lexus, está exibindo seu RX-400, um utilitário esportivo movito a petróleo e eletricidade. É verdade que ele não será tão potente quando o novo carro da Volvo, mas será consideravelmente mais limpo, e sua manutenção, muito mais barata. Esforços de venda O marketing também está no alto da agenda do Salão este ano. Duas grandes montadoras americanas, Ford e General Motors, anunciaram recentemente que seus orçamentos de marketing vão ser aumentados em um terço ou pela metade nos próximos meses. Um terceiro fabricante americano, Chrysler, está exibindo seus primeiros carros Daewoo com novo logotipo. A DaimlerChrysler espera que as vendas do Daewoo cresçam, talvez até dobrem, quando puser o logotipo Chevrolet nos carros. Céticos, porém, sugerem que a iniciativa pode dar errado e, em vez de atrair consumidores europeus, poderia afastar compradores da marca Chevrolet no mercado americano. Trabalhadores Por trás das estratégias de produtos dos fabricantes de automóveis está o peso do rápido aumento de custos, refletindo os altos preços da energia e os crescentes custos das matérias-primas. E,como acontece com freqüência com qualquer fabricante, quando um custo aumenta, outros terão que cair para manter as margens de lucro ou, no caso de muitos fabricantes de automóveis, reduzir prejuízos. Então, cortes de empregos estão sendo previstos No início da semana, a General Motors disse que reduziria a produção de suas fábricas na Europa, incluindo a Saab na Suécia e a Opel na Alemanha. Como resultado, cerca de 3 mil empregos poderiam ser perdidos. A notícia veio pouco depois do anúncio de que 1,5 mil empregos vão acabar com a decisão da Ford de fechar sua unidade de fabricação do Jaguar na Grã-Bretanha. Essas ordens vindas dos Estados Unidos não estão caindo bem nas suas subsidiárias européias. Como resultado, os grupos automotivos serão forçados a passar muito do seu tempo em Paris defendendo essas decisões. Qualquer tentativa de desviar a atenção das problemáticas relações trabalhistas no setor provavelmente não terão sucesso. |
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