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Morrendo de Felicidade | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Os perigos e problemas para 2005 são familiares, até caseiros: o terror alcadiano, a bomba coreana, o reator iraniano, a fome africana, o dólar americano, a visão bushiana, o mau ambiente republicano, as bactérias, os vírus e os remédios. Ou será que estamos preocupados com os perigos errados? Há cem anos, os pobres eram secos de tão magros, e a luta pela próxima refeição fazia parte do cotidiano. Hoje, os mais pobres em geral são os mais gordos, cercados de refrigerantes, hambúrgueres, cheesebúrgueres, pizzas, baldes de galinha frita e batatinhas. Em 2005 a obesidade deve superar o tabaco na categoria de doenças evitáveis. Graças à afluência e produtividade, os americanos nunca tiveram tantos carros. São 230 milhões para 193 milhões de motoristas. Quanto mais motorizados, mais sedentários e mais perigosos: o carro é o assassino número um do país. Mata 117 pessoas por dia, 46 mil por ano. Mata mais do que os alimentos, a gripe, as armas e os terroristas, que em um ano típico não matam nem um americano nos Estados Unidos. O ano de 2001 foi uma exceção. Tanto dinheiro, tanto conforto e tanto stress. O número de deprimidos clínicos foi recordista em 2004 e de americanos mal dormidos também. A média atual de sono são sete horas por dia, enquanto os pais dormiam pelo menos oito e os bisavós dormiam dez. O terror e os outros perigos estão pela frente, mas em um país onde quanto mais e maior, melhor, nunca tantos americanos vão morrer de felicidade como em 2005. |
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