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Um ano depois, mundo ainda espera julgamento de Saddam | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
No dia 14 de dezembro do ano passado, Paul Bremer, o então administrador americano no Iraque, anunciou triunfante: "Senhoras e senhores, nós o pegamos". Os soldados americanos haviam capturado, na noite anterior, o ex-líder iraquiano Saddam Hussein. Sem nenhum tiro disparado, o ex-ditador foi encontrado dentro de um esconderijo subterrâneo perto da sua cidade natal, Tikrit. Ele era o homem que os americanos acreditavam estar comandando os insurgentes no país e as autoridades afirmavam que, sem Saddam, a resistência iria acabar. O presidente americano, George W. Bush, declarou na televisão: "Na história do Iraque, uma era sombria e dolorosa está terminada". O general John Abizaid, chefe do Comando Central dos Estados Unidos, disse que a prisão do ex-ditador havia sido um "enorme golpe psicológico" na resistência o que iria "trazer grandes benefícios ao longo do tempo". Jay Odierno, comandate da 4ª Divisão de Infantaria, cujas tropas capturaram Saddam, disse que a insurgência "estava de joelhos". "Dentro de seis meses, acho que vocês irão ver alguma normalidade", comentou. Ataques Um ano depois, o Iraque está longe da normalidade. Mais soldados americanos morreram desde a prisão de Saddam do que antes de sua captura. Os ataques de insurgentes no Iraque no mês passado somaram, em média, cem por dia – quase o dobro do registrado em julho quando se acreditava que eles estavam acabando. As ameaças de seqüestro são tão comuns que nenhuma pessoa vinda de países do ocidente se arrisca a caminha pelas ruas de qualquer cidade iraquiana. O Pentágono está aumentando o número de tropas militares no país para o recorde de 150 mil a fim de garantir a segurança para as eleições de janeiro. Julgamento Também um ano depois, Saddam ainda está aguardando seu julgamento. O ex-líder do Iraque está sob custódia dos militares americanos e é mantido preso em um local secreto no Iraque. Um tribunal especial com 40 juízes iraquianos está sendo organizado para o seu julgamento de acordo com as leis do país. Em agosto desse ano, o ministro dos Direitos Humanos do Iraque, Bakhtiar Amin, disse ao jornal britânico The Guardian que Saddam ocupava seu tempo na prisão escrevendo poesia, cuidando de seu jardim e lendo o Alcorão.
Outras 11 ex-autoridades iraquianas, incluindo seu primo Ali Hassan al-Majid, conhecido como 'Ali Químico', também estão detidas. O plano original era levá-los a julgamento rapidamente, dentre seis meses. Esse prazo foi prorrogado várias vezes em função, principalmente, da inexperiência dos investigadores iraquianos que precisam verificar toneladas de documentos, além da falta de segurança. De acordo com a última informação do governo interino do Iraque, os julgamentos serão realizados no primeiro semestre do ano que vem, mas não antes das eleições de 30 de janeiro. O Ministério da Justiça do país disse que Ali Hassan al-Majid e o meio-irmão de Saddam, Watban Ibrahim Al Hassan, serão julgados antes dele – o que já vem sendo chamado de "o julgamento do século". Mas é pouco provável que seja o desfecho dos problemas no Iraque, como Washington esperava um ano atrás. |
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