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Obstáculos continuam imensos no Oriente Médio | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Há uma excelente notícia no conflito entre Israel os palestinos: desde a morte de Yasser Arafat, a expressão "oportunidade diplomática" se tornou mais popular que o clichê "escalada da violência". Dirigentes dos dois lados, assim como figuras dos círculos decisórios nos EUA e Europa, não perdem uma oportunidade para fazer acenos positivos. Com a morte de Arafat, os palestinos colocaram em marcha um processo eleitoral que, se tudo ocorrer conforme o previsto, deve culminar na consolidação do poder de Mahmoud Abbas, invariavelmente descrito como moderado, embora o termo mais preciso seja pragmático. Um ponto fundamental é a divergência de Abbas ao que ele qualifica de militarização da insurreição palestina, ou seja, o que alguns chamam de atos terroristas. Simbolismo Militantes da chamada jovem guarda palestina do grupo Fatah se renderam ao pragmatismo e decidiram não desafiar o veterano Abbas. Após flertar com a idéia de concorrer, embora esteja preso em Israel, o carismático Marwan Barghouti decidiu cerrar fileiras com Abbas, que é mais respeitado no exterior do que nos territórios palestinos e visto como uma figura de transição. Barghouti calculou que liderar da prisão iria simplesmente perpetuar o simbolismo da resistência palestina, tão abusado por Arafat, sem trazer resultados efetivos. Do lado israelense, há gestos conciliatórios. O governo Sharon promete remover obstáculos para a realização das eleições presidenciais palestinas em 9 de janeiro e, em uma entrevista à revista Newsweek, o primeiro-ministro disse que está disposto a coordenar a retirada de Gaza com os palestinos. Ele nunca tinha dito isto sobre o plano supostamente unilateral. Na mesma edição de Newsweek, Abbas usou o tom de Sharon insistindo na tal de oportunidade diplomática no Oriente Médio aberta com a morte de Arafat, com o qual os israelenses se recusavam sequer a manter contatos enquanto estava confinado em Ramallah. Oportunidades Agora, Sharon e Abbas estão dispostos a se encontrar, o que obviamente não é o mesmo que se engajar em negociações substantivas. Há oportunidades, mas também as habituais e imensas dificuldades internas. Para Sharon é sempre um processo penoso preservar a coalizão de governo, com as intermináveis barganhas com a ultradireita nacionalista e os pequenos partidos religiosos. A qualquer momento eleições podem ser convocadas. E no caso palestino, os tumultos internos são igualmente tempestuosos, para não dizer violentos. É preciso ser contraditório e dizer que Abbas, mesmo que consiga consolidar o seu poder, estará em uma posição precária. A tarefa ingrata de Abbas para conter os ataques suicidas de extremistas islâmicos e seculares sempre será uma desculpa para Sharon fechar a janela diplomática. E qual é o papel americano neste novo cenário, especialmente se levarmos em conta a reeleição do presidente Bush? Israel considera Bush um aliado de ferro, mas ao mesmo tempo há preocupação que no segundo mandato, sem o compromisso de reeleição, o presidente esteja mais à vontade para pressionar Sharon por concessões. Já os palestinos não esperam grandes mudanças em Washington, mas de qualquer forma têm expectativas de que a morte de Arafat (com o qual Bush não queria saber de conversa) reabra os canais de comunicação. Sim, há oportunidades diplomáticas no Oriente Médio. |
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