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Colheita de azeitona é alvo de disputa entre israelenses e palestinos | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
No conflito entre israelenses e palestinos, até as oliveiras, consideradas um símbolo da paz, se tornam alvo de batalhas. Nos últimos quatro anos, foram registrados dezenas de incidentes de violência por parte de colonos israelenses contra agricultores palestinos durante o outono, época da colheita das azeitonas. Palestinos que moram perto de assentamentos habitados por colonos judeus especialmente radicais, como Itzhar ou Tapuah, na região de Nablus, correm o risco de ser espancados quando tentam se aproximar de suas oliveiras localizadas perto das casas dos colonos. Em muitos casos, cercas separam os agricultores de suas terras e eles têm de pedir uma permissão especial ao Exército para poder colher as azeitonas. Mobilização A situação dos agricultores palestinos piorou muito nos últimos quatro anos, desde o início da Intifada, e especialmente no último ano, desde que Israel começou a construção da barreira na Cisjordânia. Com a perda dos empregos em Israel e o empobrecimento crescente dos palestinos, o cultivo das oliveiras torna-se uma das únicas fontes de sustento para dezenas de milhares de famílias. Em vista das ameaças dos colonos e das dificuldades de acesso às terras que ficam do outro lado da barreira, grupos israelenses de esquerda e organizações de direitos humanos se mobilizaram para ajudar dezenas de aldeias na colheita das azeitonas. Uma das figuras principais nesta campanha é o rabino Arik Ascherman, líder do grupo Rabinos pelos Direitos Humanos. "Na região de Nablus há alguns assentamentos especialmente violentos, que impõem terror aos seus vizinhos palestinos, como Tapuah, Itamar, Itzhar e Alon Moreh", disse Ascherman à BBC Brasil. "E nas aldeias que beiram esses assentamentos, como Beit Furik, Rajeb e Yassuf, nossa ajuda é muito necessária." Medo Segundo o rabino, mesmo quando não há incidentes violentos, ele sente o impacto do medo que os palestinos têm dos colonos. "Basta que algum colono se aproxime dos olivais para que os palestinos comecem a tremer de medo, e em alguns casos, eles pegam os sacos de oliveiras que conseguiram colher e fogem do local", acrescenta. De acordo com Ascherman, na aldeia de Beit Furik, as árvores que beiram o assentamento de Itamar não deram frutos esse ano, pois foram queimadas pelos colonos em 2003. Israel Puterman, de 67 anos, é um ativista do grupo Taayush (Coexistência) e participa regularmente da campanha da colheita. Puterman contou à BBC Brasil que este ano já participou 15 vezes da colheita em dez aldeias diferentes. "É importante que os palestinos saibam que nem todos os israelenses são colonos ou soldados. Além de ser um ato de solidariedade com os palestinos, a ajuda na colheita também tem uma grande importância humanitária", disse. Puterman também explicou que, segundo a lei que vigora nos territórios ocupados, os agricultores correm o risco de perder a posse de suas terras se não as cultivarem por mais de três anos. Segundo o rabino Ascherman, essa é a razão pela qual os colonos do assentamento de Itamar propuseram aos agricultores da aldeia de Awarta um pagamento pela safra, com a condição de que não entrem na área do olival. "Os colonos querem se apoderar das terras de Awarta e sabem muito bem que se os agricultores palestinos não entrarem na área por mais de três anos, perderão a posse", disse Ascherman. Os agricultores de Awarta rejeitaram a proposta dos colonos. |
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