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Entre países em desenvolvimento, Brasil é 8º em remessas | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O Brasil está em oitavo lugar entre os países em desenvolvimento que mais recebem remessas de imigrantes no mundo, de acordo com a Pesquisa Mundial Econômica e Social, divulgada nesta segunda-feira pela Organização das Nações Unidas (ONU). Os brasileiros que trabalham fora do país enviaram, segundo o Departamento para Assuntos Econômicos e Sociais das Nações Unidas, mais de US$ 2 bilhões para casa em 2002. Esse montante, ainda segundo o relatório da ONU, deixou o Brasil atrás do México, Índia, Filipinas, Paquistão, Egito, Marrocos e Bangladesh. Os países em desenvolvimento recebem, de acordo com o estudo que se baseou em um levantamento do Fundo Monetário Internacional (FMI), cerca de 60% dos US$ 131 bilhões por ano enviados por imigrantes aos seus países de origem. O México, que lidera o ranking entre os países em desenvolvimento, recebe cerca de US$ 14 bilhões por ano dos seus expatriados; seguido da Índia, com mais de US$ 8 bilhões; e das Filipinas, com mais de US$ 7 bilhões. 'Impacto positivo' Segundo a pesquisa da ONU, a primeira do gênero em mais de dez anos, o número total de migrantes vem crescendo continuamente nas últimas décadas. Os dados mais recentes, de 2000, indicam que o número de migrantes no mundo atingiu 175 milhões de pessoas – quase o número de habitantes do Brasil. Em 1980, esse número era de 100 milhões de pessoas, saltando para 154 milhões em 1990. O estudo da ONU também mediu o impacto da imigração nos países desenvolvidos e concluiu que – ao contrário do que muitos acreditam – ela não leva a um achatamento nos salários. O documento diz que imigrantes "agregam valor à economia e geralmente contribuem mais do que custam aos cofres dos governos". Além disso, a chegada de pessoas de outros países ajuda a equilibrar o declínio constante da população em vários países desenvolvidos. Sem imigração, estima-se que a população européia perderia cerca de 139 milhões de pessoas entre 2000 e 2050. Com a imigração, a redução populacional na região deverá ser de 96 milhões de pessoas, segundo o documento, que ainda pede aos governos de países que recebem imigrantes para divulgar melhor os benefícios proporcionados à economia pelos trabalhadores estrangeiros. 'Fuga de cérebros' O documento da ONU também cita uma pesquisa realizada em 50 países em desenvolvimento em 2002 que afirma que o Brasil e outros nove países se beneficiam da chamada fuga de cérebros – geralmente considerada prejudicial para as economias, que perdem profissionais qualificados. O estudo argumenta que a imigração de pessoas qualificadas, desde que em uma porcentagem baixa na população, leva a um incentivo à educação nos países de origem. "O número de pessoas qualificadas que deixa o Brasil é baixo em comparação aos que ficam", afirmou à BBC Brasil Hania Zlotnik, subdiretora da Divisão de População do Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais da ONU. "Isso acaba levando a um intercâmbio maior entre os brasileiros que ficam e os que saem do país, o que propicia uma troca de tecnologia e conhecimento benéfica para o país", conclui Zlotnik. Dessa forma, além do Brasil, China, Colômbia, Guatemala, Honduras, Indonésia, Paquistão e Paraguai podem ser beneficiados pela fuga de cérebros. Por outro lado, Hania Zlotnik destaca que alguns países da África verificam fugas de mais de 50% dos seus "cérebros", ou trabalhadores qualificados. O relatório da ONU ressalta que, na América do Sul, a porcentagem de imigração de trabalhadores altamente qualificados é baixa – apenas 3% –, quando comparada a outras regiões em desenvolvimento. |
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