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Atualizado às: 25 de novembro, 2004 - 13h26 GMT (11h26 Brasília)
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Brasileiro morto na Cisjordânia queria voltar ao país

Enterro de Arafat em Ramallah
Brasileiro foi ao enterro de Arafat em Ramallah
O pai do brasileiro Ghassan Othman Mussa, que foi morto por soldados israelenses em Ramallah, na Cisjordânia, disse que seu filho "queria retornar ao Brasil". Ele disse também que o brasileiro recebeu quase 30 tiros.

Ghassan Mussa, o pai, também nega a versão do Exército israelense de que seu filho pertencia a uma facção armada do Fatah, o maior partido político palestino.

Segundo Israel, o rapaz brasileiro-palestino, que tinha 22 anos, era procurado por sua participação em ações armadas e reagiu, junto com dois colegas, quando percebeu que poderia ser preso.

Seu pai afirma que ele havia saído de casa para comer com os amigos e que estaria jantando dentro do carro quando foi morto. "Ele tomou quase 30 tiros."

Mussa diz ainda que seu filho não sabia usar armas e que não estava armado quando foi morto.

'Sua terra'

"Ele me disse que o Brasil também era sua terra", conta o pai, afirmando que o rapaz falou do desejo de retornar ao país quando foi ao enterro do presidente palestino Yasser Arafat, no dia 12 de novembro.

A embaixada do Brasil em Tel Aviv enviou uma carta formal ao Ministério de Relações Exteriores de Israel pedindo esclarecimentos sobre a morte de Mussa.

"Nós ainda não recebemos uma resposta, mas esperamos que sejam divulgados dados oficiais sobre o que ocorreu", disse o embaixador Sérgio Eduardo Moreira de Lima.

A família não fez contato com as autoridades brasileiras porque está ainda no período de luto, tradicional entre os palestinos.

A última vez que Mussa, o filho, teve contato com a embaixada brasileira foi em 2000, quando pediu para regularizar sua situação com o serviço militar brasileiro.

Ele nasceu no Rio Grande do Sul e foi para os territórios palestinos, junto com a família, ainda com dois anos de idade, na década de 80.

Para seu pai, é muito difícil agora explicar a morte do filho e tampouco ter esperança no futuro dos palestinos e israelenses.

"Ninguém gosta de guerra, mas aqui na Terra Santa está muito difícil."

Vídeo
Chegada a Ramallah foi marcada por cenas de caos e emoção.
Em vídeo
Imagens mostram momentos históricos da vida de Arafat.
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