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Atualizado às: 20 de novembro, 2004 - 23h07 GMT (21h07 Brasília)
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Chile quer ser ponte entre Ásia e América Latina

O presidente Ricardo Lagos
Lagos propõe que o Chile seja porta de entrada para a Ásia
O presidente do Chile, Ricardo Lagos, disse que o seu país poderá ser a "porta de entrada" dos países da América Latina para as economias da região Ásia-Pacífico, incluindo a China.

A China é a grande vedete do encontro da Apec (Fórum de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico, na sigla em inglês), que reúne 21 economias mundiais na capital chilena durante este fim de semana.

"Essas nações (asiáticas), que registram crescimento tão rápido, podem perceber que, através do Chile, poderão se expandir para outros pontos da América Latina", afirmou Lagos, anfitrião da Apec.

"Acho que essa é a ocasião perfeita para colocar o Chile no radar dos diferentes países do Pacífico que pretendem ampliar sua presença na nossa região. O Chile é um país sério, que cumpre suas tarefas, organizado, que respeita o estado de direito e poderá ser essa ponte".

Vantagem para o Brasil

Para analistas como o cientista político Claudio Fuentes, diretor da Flacso (Faculdade Latino-americana de Ciências Sociais), do Chile, o principal beneficiado por essa "ponte" seria o Brasil.

"Imagine o quanto se multiplicaria o potencial de exportação do Brasil com um corredor unindo os oceanos Pacífico e Atlântico", disse.

À BBC Brasil, o presidente do Peru, Alejandro Toledo, afirmou que não sente "ciúmes" da iniciativa de Lagos, apesar de seu país também ser membro da Apec e, provavelmente, outra "porta" para o acesso aos países ligados ao Pacífico.

"O Brasil é um país importante para todos e que ele seja beneficiado com essa integração acaba favorecendo a toda a região", disse Toledo. "A América Latina é uma porta muito grande para várias regiões e há espacos para todos. Somos um mercado imenso e não tenho ciúmes, de jeito nenhum, da iniciativa do presidente Lagos", insistiu.

Nesta reunião, realizada em diferentes pontos de Santiago, Toledo anunciou
que assim como já fizeram o Brasil, a Argentina e o Chile, o Peru também
declara a China como economia de mercado. A decisão facilitará a venda de
produtos chineses para estes países.

"Se eu conseguir que 1% da população da China compre nossas frutas e farinha de peixe, por exemplo, e que pelo menos 1% de seus habitantes viajem para fazer turismo no Peru, já serei um homem feliz", disse Toledo.

Segundo o presidente peruano, a China está de olho, cada vez mais, na soja e nos minerais da América Latina e para ele essa é uma "oportunidade histórica" para os países latinos.

Nos próximos dias 8 e 9 de dezembro, Alejandro Toledo será o anfitrião, em Cusco, do encontro que formalizará a existência da Comunidade de Nações da América Latina – uma idéia do governo brasileiro que abarcará também os países da Comunidade Andina.

"É o momento de olharmos para nós mesmos e com o Brasil estamos dando vários passos concretos como a realização de obras de infra-estrutura para ampliar nossa relação física", disse.

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