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Atualizado às: 20 de novembro, 2004 - 18h56 GMT (16h56 Brasília)
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Bush costura alianças contra o "terror" em Santiago

Bush Coréia
Bush defendeu o desarmamento da Coréia do Norte
Pela primeira vez depois de reeleito, o presidente americano George W. Bush pediu, neste sábado no Chile, o apoio direto a outros líderes mundiais para a chamada guerra contra o terrorismo e o desarmamento nuclear.

Bush e os líderes da China, Hu Jintao, da Rússia, Vladimir Putin, do Japão, Junichiro Koizumi, e da Coréia do Sul, Roh Moo Hyun, entre outros, participam no sábado e no domingo do encontro da Apec (Fórum de Cooperação Econômica Ásia–Pacífico, na sigla em inglês), que reúne países com acesso ao Oceano Pacífico.

Apesar do cárater do fórum ser mais econômico e comercial, o diretor da Flacso (Faculdade Latino-americana de Ciências Sociais) no Chile, Cláudio Fuentes, disse à BBC Brasil que o encontro está servindo de palco para Bush defender a sua luta contra o que ele define como terrorismo.

Ao chegar para o primeiro compromisso oficial da Apec, um almoço oferecido pelo presidente chileno, o socialista Ricardo Lagos, Bush mostrou-se sorridente, deu um forte abraço em Lagos, e acenou várias vezes para os fotógrafos e cinegrafistas.

Incerteza

Bush e Lagos não se encontravam desde que o Chile votou contra a invasão do Iraque no Conselho de Segurança da ONU.

"Há uma grande incerteza no mundo em relação à política internacional que será adotada pelo presidente americano no seu segundo mandato, depois da saída de Colin Powell e outros”, disse Fuentes, que participa das reuniões paralelas da Apec.

Apec
A Apec reuné países com acesso ao Pacífico

"Essa aliança contra o terrorismo é certamente o que mais interessa a Bush, que já recebeu uma declaração pública de apoio da Rússia. Mas ainda espera que a China e o Japão sigam o mesmo exemplo", afirmou Fuentes.

Para ele, os diáologos em Santiago podem ser determinantes para a geopolítica mundial daqui para frente.

Além do terrorismo, tema imposto pela diplomacia americana neste encontro, a pauta da Apec está concentrada nos próximos passos para que se chegue a uma zona de livre comércio nos países com acesso ao Pacífico.

Como destacou o diretor do Instituto Libertad y Desarrollo (Instituto de Liberdade e Desenvolvimento), Cristián Larroulet, a Apec prevê duas etapas para criação desta zona de livre comércio que, aliás, reúne economias que representam 60% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial.

A primeira etapa prevê a adesão dos países industrializados. A adesão do Chile está incluída nesta fase, que vai até 2010.

O prazo para a incorporação de economias menos desenvolvidas vai até 2020.

Calor e acordos

Em um dia de forte calor em Santiago, onde domina o barulho dos helicópteros, usados para reforçar a segurança, o presidente do Chile recebe os líderes mundiais, enquanto aproveita para avançar em novos acordos comerciais bilaterais para seu país como com o Peru, presidido por Alejandro Toledo.

Lagos teve um longo encontro com a líder da Nova Zelândia, Helen Clark, e com representantes do governo da China.

A China nos últimos dois meses passou a ser o principal parceiro comercial do Chile, ultrapassando o Japão e os Estados Unidos.

Em uma entrevista coletiva no sábado, Lagos voltou a falar da importância de uma globalização mais equitativa e mais justa e comentou os protestos realizados no dia anterior.

"Ontem (sexta-feira), vimos aqui dois chiles. Um que se expressa livremente e tem esse direito porque ainda não viu os benefícios da globalização. E outro, menos consciente, que apelou ao vandalismo. Mas o Chile democrático não permitirá este tipo de ação", disse Lagos.

Entrevistada pela BBCBrasil, a advogada Julia Urquieta, do Movimento de Direitos Humanos, que apoiou o protesto realizado na sexta-feira pelo Fórum Social do Chile, condenou a presença do presidente americano George W. Bush
em Santiago.

Ela participou da manifestação que reuniu mais de 25 mil pessoas e terminou em incidentes, com prisões e feridos nas ruas da capital do país.

"Bush é o responsável pelo terrorismo no internacional. Rejeitamos totalmente sua presenca no nosso país, que, aliás, gerou forte repressão por parte dos carabineiros (a polícia chilena)", disse.

“Nós condenamos ainda a existência da Apec porque ela reúne os principais países capitalistas e não beneficia o restante do mundo", completou.

Julia Urquieta participa da comissão, formada por um grupo de advogados, que recentemente entrou com ação na Justiça chilena contra George W. Bush, acusando-o de crimes contra a humanidade.

O objetivo era tentar fazer a Justiça ouvi-lo na sua passagem de três dias pelo país. Mas ela mesma reconheceu que o desejo será impossível de ser cumprido até domingo, quando Bush terá um jantar com Lagos, antes de embarcar de volta para os Estados Unidos.

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