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Uribe quer reeleição para 'derrotar' o narcotráfico | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Em uma entrevista exclusiva concedida à BBC, o presidente da Colômbia Álvaro Uribe disse que sua administração está resolvendo todos os problemas internos do país, mas ressaltou que precisa de mais tempo para derrotar o que ele chamou de terrorismo. Para isso, segundo Uribe, ele precisaria ser reeleito. "Se você olha as democracias no mundo, houve um período normal de introdução de reeleição e de extensão de períodos. Tem que se confiar no bom senso das pessoas." O presidente colombiano ressaltou que muitos países na América Latina impõem o limite de um mandato aos presidentes, em parte, segundo ele, por causa da experiência do continente com ditaduras militares. Mas lembrou que alguns países, como Bolívia e Peru, recentemente alteraram suas Constituições para viabilizar a reeleição. A possível extensão de seu mandato, de acordo com Uribe, não visa ao benefício próprio. "Por que para benefício próprio? Um presidente que sofreu tantas críticas, tanta vigilância, num país com esse sofrimento social, expôr-se a uma reeleição, isso implica um imenso risco pessoal." "É muito mais fácil ser candidato num país tão pobre e com tanta dificuldade desafiando o presidente titular do que ser candidato buscando a reeleição." Segurança Na entrevista concedida ao programa Talking Point, da BBC, no qual pessoas do mundo inteiro mandaram perguntas, Uribe disse que a segurança é o pré-requisito de todos os aspectos do desenvolvimento da Colômbia. Sua política de "segurança democrática" tem o objetivo de estender o controle do Estado para todas as áreas do país com o envio do Exército para retirar o comando das guerrilhas. Em algumas áreas, o Exército alistou "soldados camponeses" e têm sido registradas inúmeras alegações sobre violações aos direitos humanos. O governo também pretende erradicar a produção de cocaína, que financia as operações rebeldes e paramilitares. Legalização das drogas Perguntado se a legalização das drogas não seria o meio mais eficaz para combater o narcotráfico, Uribe disse ser contrário à medida. "Tenho muito medo da legalização. Mais medo como pai de família do que como presidente. Porque um país que viu duas gerações bastante perdidas por causa da droga tem de ter todo esse pânico da droga." O presidente colombiano citou como exemplo as conseqüências da legalização para a ecologia: "As drogas ilícitas destruíram 1 milhão e 700 mil hectares de floresta tropical na Colômbia. A legalização pode até baixar o preço da droga, mas não vai frear a expansão, que pode ser tão grande a ponto de destruir a selva amazônica." Para Uribe, faltou vontade política permanente para acabar com o narcotráfico, "que dure o tempo necessário para derrotar as drogas", e é isso que, segundo ele, seu governo está fazendo. Álvaro Uribe se encontra com o presidente dos Estados Unidos George W. Bush na próxima segunda-feira, em Cartagena, a pedido do líder colombiano. As discussões devem se concentrar na luta contra o narcotráfico e no Tratado de Livre Comércio. Uribe também deve reiterar o pedido de ajuda dos Estados Unidos para a continuação do Plano Colômbia. |
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