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Ramallah volta à normalidade após enterro de Arafat | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Depois do tumulto vivido durante o enterro do líder palestino Yasser Arafat, na sexta-feira, a cidade de Ramallah voltou à calma neste sábado. Durante o enterro de Arafat - que morreu aos 75 anos em um hospital na França -, a região onde fica a Mukata, o quartel-general da Autoridade Palestina, foi palco de cenas caóticas. Dentro e nas ruas próximas à Mukata, milhares de pessoas se reuniram para dar seu adeus ao presidente. Na tentativa de chegar perto do caixão, a população tomou conta da situação, provocando muito empurra-empurra. A reposta da polícia palestina, que deu muitos tiros para cima e usou cacetetes para tentar controlar o caos, apenas ampliou a confusão. Após a catarse, os palestinos de Ramallah acordaram para um sábado de feriado com praticamente toda a cidade fechada. Mês sagrado O Ramadã, o mês sagrado para os muçulmanos, acabou na sexta-feira, e o sábado é um dia de celebração e o momento em que as pessoas podem voltar a comer e a beber normalmente. Durante o mês do Ramadã, os muçulmanos têm de observar um jejum completo durante a luz do dia, e uma parcela das pessoas evita inclusive beber água. No local onde agora está o túmulo de Arafat, as autoridades conseguiram completar as homenagens que estavam previstas para o enterro, mas que foram canceladas por causa do caos. Houve uma cerimônia religiosa às 6h40 da manhã, com a presença de autoridades religiosas e do novo presidente da Organização para a Libertação da Palestina, Mahmoud Abbas. Depois, pequenos grupos de pessoas comuns começaram a fazer visitas ao túmulo, que fica em um dos cantos de um grande pátio dentro do quartel-general de Arafat. No resto da cidade, todo o comércio ficou fechado, e poucas pessoas saíram às ruas. Ramallah Ramallah é a sede do poder palestino e a cidade que abriga a elite política e econômica palestina. Cheia de casas e prédios baixos, normalmente de quatro ou cinco andares, a cor predominante é o bege claro, que se confunde com a cor da paisagem árida que a cerca. Com cerca de 130 mil habitantes, tem o comércio e a vida cultural mais pulsante de todos os territórios ocupados. Desde o shopping center de Al-Irsal, uma construção moderna com vidros espelhados, até o centro, cheio de pequenos cafés tradicionais, lojas, restaurantes e um cinema, a maior parte de Ramallah surpreende o visitante que imagina encontrar um cenário de guerra. Há de fato áreas que ainda mostram cicatrizes de ocupações israelenses recentes, sendo os prédios destruídos da Mukata os mais conhecidos. A cidade também tem muitos terrenos baldios e muitas casas e prédios em construção, o que dá um aspecto precário a alguns bairros. No entanto, não estivesse em meio a um dos conflitos mais sangrentos e complexos do Oriente Médio, seria difícil ver a cidade como um local no qual tanques de guerra israelenses podem entrar a qualquer momento. "Temos um padrão de vida bem melhor do que as pessoas imaginam, provavelmente melhor do que muitos brasileiros", diz o engenheiro civil Khaled Batrawi. Mas se a cidade engana, a presença constante de pessoas à paisana armadas com metralhadoras Kalashnikov - principalmente seguranças particulares de políticos e de autoridades - e a possibilidade de se topar com grupos de homens encapuzados também portando armas em demonstrações públicas, como ocorreu no enterro de Arafat, ajudam a lembrar que a aparente calma de Ramallah pode ser quebrada a qualquer hora. |
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