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Bush e Blair apostam capital em nova doutrina | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
No final, é provável que uma única palavra tenha tido importância no encontro entre George W. Bush e Tony Blair nesta sexta-feira em Washington: “capital”. O recém-reeleito presidente americano, imensamente poderoso, prometeu que nos próximos quatro anos vai “gastar o capital dos Estados Unidos” tentando criar um Estado palestino livre e democrático. Se ele de fato quer dizer isto, trata-se de uma promessa formidável. Mas isso depende de que as eleições palestinas produzam uma nova liderança que seja comprometida com a solução de co-existência dos Estados de Israel e da Palestina proposta pelo “mapa da paz” e que não seja dominada por grupos extremistas que agora disputam o poder na Palestina pós-Arafat. Além disso, este grupo terá que ser profundamente dedicado a erradicar o terrorismo. Esforço Blair e Bush concordaram em colocar todo o esforço possível para assegurar que as eleições palestinas sejam bem-sucedidas, com os israelenses ficando à parte, e com assistência internacional para monitoramento e manutenção da paz. Depois, concordaram os dois líderes, a limitada retirada israelense da Faixa de Gaza e de alguns assentamentos na Cisjordânia teria que ser feita de forma completamente efetiva. Seria essencial não deixar para trás nem anarquia nem caos. Bush disse ao primeiro-ministro britânico que ele acredita que Ariel Sharon pode ir muito mais longe se isso de fato acontecer, criando a inebriante possibilidade de chegar a um acordo final para um dos conflitos mais perigosos do mundo. Mas será que isso não passou de retórica de um encontro de cúpula? Será que ha alguma razão para ter esperança desta vez, depois de tantas esperanças frustradas, fracassos sangrentos e acordos quebrados das últimas décadas? Blair e seus assessores acreditam que a coincidência da morte de Yasser Arafat com a reeleição de George W. Bush, fazendo-o pensar em seu eventual legado, finalmente coloque as engrenagens em funcionamento. Afinal de contas, o “capital” de Bush é imenso. Mas tão contundente foi a forma como ambos os líderes enfatizaram sua missão central – nada menos que a difusão da democracia pelas regiões mais problemáticas e perigosas do planeta. Doutrina Há quem diga que isso essa é uma doutrina criada retrospectivamente para justificar a guerra no Iraque. Mas os dois pareceram estar usando linguagens praticamente idênticas. O que parece ter emergido deste encontro de cúpula inusitadamente privado – Bush e Blair ficaram juntos sem nenhum outro acompanhante por duas horas e passaram várias outras horas com equipes de assessores – poderia ser chamado de doutrina do “novo intervencionismo”. Já não é mais aceitável negociar com ditadores ou regimes linha-dura: no futuro, eles terão que ser confontados, e a democracia deve ser espalhada por todos os meios à disposição. É um estranho casamento entre os velhos instintos internacionalistas de parte da esquerda liberal e o assim chamado neoconservadorismo dos Estados Unidos de George W. Bush. Claramente esta é uma visão de mundo que não sossega e é muito ambiciosa e, sem dúvida, às vezes perigosa. Mas, ouvindo as palavras e observando a linguagem corporal, ficou bem evidente – os dois realmente querem dizer isto. |
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