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Nas ruas, palestinos dizem não confiar em Bush | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Não é preciso muito trabalho para saber o que uma grande parcela dos palestinos pensa do atual governo americano de George W. Bush. Basta perguntar nas ruas de Ramallah, a principal cidade palestina, para pessoas comuns se elas acreditam que agora, após a morte do presidente Yasser Arafat, o governo americano vai ajudar na construção da paz e de um Estado palestino independente. A resposta é, invariavelmente, não. "Não confio nos americanos quanto à questão palestina. O principal objetivo dos americanos é ajudar os israelenses, eles não ligam para nós", acredita o estudante Nidal Ali Allan Almed. Confiança Para o ex-ministro do planejamento e atual diretor da Universidade de Berzeit, Nabil Kassis, a falta de confiança dos palestinos no governo Bush é generalizada e "se baseia nas atitudes desse governo nos últimos anos". "Bush disse que Israel teria que deixar Ramallah quando a cidade foi invadida, e os israelenses ficaram mais dois anos ocupando a cidade; ele propôs o plano de paz que prevê dois Estados, mas o plano ficou estagnado". "O presidente Bush terá que fazer muito para reconquistar, não só a confiança dos palestinos, como a confiança de toda a comunidade internacional", diz Kassis. Apesar de não gostar do governo Bush, a maioria dos palestinos também admite que não existe outra opção se não esperar que os Estados Unidos os ajudem a costurar um acordo de paz e uma solução para pôr fim à ocupação israelense. Israel "Há muita desconfiança em relação aos americanos. Os palestinos vêem o governo Bush como um governo que apóia os israelenses, mas não há alternativa", avalia o cientista político Said Zeedini. A postura oficial do governo Bush antes de morte de Arafat coincidia com a do governo de Israel. Os americanos avaliavam que o líder palestino não era mais um interlocutor confiável e se recusavam a continuar negociando com ele. Em um comunicado feito depois da morte de Arafat, o presidente americano disse esperar que "o futuro traga paz e a realização das aspirações por uma Palestina independente e democrática, em paz com seus vizinhos". Expectativa Embora estejam desconfiados, os palestinos dizem que é possível que haja uma mudança de postura de Bush em seu segundo mandato e que isso pode vir a favorecê-los. Há expectativas, por exemplo, que países europeus, especialmente a Grã-Bretanha, pressionem os Estados Unidos a voltar à arena do conflito palestino para tentar reavivar o acordo de paz patrocinado pelos americanos. O maior problema, na opinião de vários palestinos, é que eles não acreditam que o governo do primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon, queira de fato um acordo que estabeleça um Estado palestino na Cisjordânia. "O governo de Sharon foi seqüestrado pela extrema-direita de Israel, e esse grupo não tem a intenção de permitir um Estado independente para os palestinos na Cisjordânia", acredita Aref Hijjawi, analista e diretor do Instituto de Mídia da Universidade de Berzeit. Para Hijjawi, mudar a posição de Sharon e de seu partido, o Likud, demandaria um grande esforço do governo americano, e ele não acredita que esse esforço será feito por Bush. |
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