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Celebração religiosa oculta tensão sobre Arafat em Ramallah | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Quando se entra em Ramallah, a cidade que sedia a Presidência palestina, a partir de Jerusalém, o que mais impressiona é que, em vez de ruínas ou casas simples, o visitante atravessa um bairro com várias casas de alto padrão. Parte do bairro abriga casas de estrangeiros ou organizações internacionais, mas uma parcela da elite palestina também vive no local. Essas residências são apenas um dos contrastes da cidade, que, apesar de ser a mais rica dos territórios ocupados, também concentra campos de refugiados. Em meio ao Ramadã, a principal comemoração religiosa para os muçulmanos, o centro da cidade se distancia da tensão política e ganha ares de festa todas as noites. Jejum Durante o Ramadã, os muçulmanos jejuam ao longo do dia. Mas assim que anoitece, eles podem comer. Alguns fazem grandes banquetes. À noite, as ruas e cafés do centro ficam mais cheios do que o normal. Nas ruas centrais, onde se concentra o comércio e alguns dos principais restaurantes e cafés, é possível ver jovens dirigindo bons carros no meio do trânsito com o som no último volume ou tomando chás nos cafés. Nesse ponto da cidade, é difícil lembrar que Ramallah é hoje o centro das discussões políticas que podem definir o futuro palestino. O quartel-general da Autoridade Palestina fica na cidade – a poucos quilômetros da área central – e é nele que Yasser Arafat ficou preso nos últimos três anos, antes de ser levado a Paris para ser tratado de uma doença cuja causa ainda não foi totalmente identificada. O complexo de prédios do quartel-general foi parcialmente destruído pelos israelenses e é uma das áreas da cidade onde o conflito fica evidente.
O estado de saúde delicado de Arafat transformou Ramallah no centro de uma intensa negociação política para definir quem vai controlar as mais importantes instituições palestinas caso ele morra. Mas essa tensão ainda não transbordou totalmente para as ruas. "Os palestinos são um povo muito alegre, eles gostam de ter uma vida livre. Nós tentamos esquecer os problemas cotidianos", afirma o estudante Yousef Zeidan, para justificar o clima festivo da cidade em meio à tensão política. Em um dos cafés do centro, Zeidan diz que, apesar das comemorações do Ramadã, "as pessoas comuns também estão preocupadas com o futuro". Para o estudante, a grande questão é saber se um eventual próximo governo seria melhor do que o de Arafat. Para o também estudante Nasser Saaden, a vida cotidiana em Ramallah mudou pouco após a doença do líder palestino, e ainda existe uma distância grande entre as disputas por poder dos grupos políticos e a posição da população em geral. "Se o presidente morrer, acho que os políticos vão brigar entre si, mas não acredito em uma guerra civil", afirma Saaden. Para ele, a maioria dos palestinos "vai ficar unida". Contrastes Além da distância entre a elite política e a população, ricos e pobres, Ramallah também concentra todas as diferentes tendências ideológicas dos palestinos na Universidade de Birzeit, onde existem grêmios estudantis ligados a quase todos os grupos, incluindos os mais violentos, como o Hamas e o Jihad Islâmico. Na opinião do jornalista Khalid Al-Faqeah, apesar das diferenças, a população de Ramallah, em particular, e os palestinos, de um modo geral, compartilham um desejo e um símbolo. "O desejo é ter um Estado independente, sem a influência e o controle de Israel. O símbolo é Yasser Arafat", diz Al-Faqeah. |
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