|
Velha guarda se movimenta para suceder Arafat | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Desde que o líder palestino Yasser Arafat ficou gravemente doente e foi transferido para Paris, há quase duas semanas, começou uma corrida por sua sucessão. Apesar de terem se mantido cautelosos em relação ao estado de saúde de Arafat, políticos palestinos de vários matizes passaram a disputar o poder. Nessa disputa, os dois principais grupos são conhecidos como a "velha guarda" e a "liderança jovem". A velha guarda é composta por políticos tradicionais ligados a Arafat. A jovem é composta por, principalmente, chefes da estrutura de segurança palestina que ganharam destaque nas regiões em que atuaram. Abbas e Korei Entre a velha guarda, os mais proeminentes são Mahmoud Abbas, ex-premiê e presidente interino da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), e Ahmed Korei, o atual primeiro-ministro. Desde que Arafat deixou seu cargo, os dois homens passaram a dividir o controle da Autoridade Palestina (AP) e da OLP – Arafat era presidente das duas organizações – para as questões do dia-a-dia e passaram a ser vistos como os sucessores mais prováveis. Outras lideranças da velha guarda que já estão em postos de destaque são o ministro das Relações Exteriores, Nabil Shaath, e Yasser Abed-Rabbo, um alto membro da OLP. "Os espaços já estão sendo ocupados pelos políticos da velha guarda, não teremos muitas surpresas", acredita Aref Hijjawi, analista e diretor do Instituto de Mídia da Universidade de Birzeit. O problema desses líderes é que eles, ao contrário de Arafat, não têm grande apoio popular. Pesquisas O líder palestino sempre foi muito cuidadoso para evitar que seus assessores, mesmo os mais próximos, se tornassem muito poderosos. Para alguns analistas, isso explica, em parte, o fato de não existir um político que tenha uma base de apoio tão ampla como a de Arafat. Numa pesquisa feita em setembro pelo Centro de Pesquisas Palestino, apenas 3% dos entrevistados disseram que votariam em Ahmed Korei em uma eleição para presidente. Na mesma pesquisa, Mahmoud Abbas ficou com 2% das intenções de votos. Arafat conseguiu 35%, enquanto o segundo lugar ficou com Mahmoud Zahhar, líder do Hamas em Gaza. Marwan Barghouthi, que está preso em uma previsão de Israel acusado de terrorismo, ficou com 13%. Números de uma pesquisa mais recente, realizada depois de o líder palestino ficar doente, mostram um quadro menos dramático para Korei e Abbas, mas mantêm a tendência. No levantamento da Universidade Nacional de An-Najah, 24,4% disseram que Korei é capaz de dirigir a Autoridade Palestina - 59,8% disseram exatamente o oposto. Abbas teve uma avaliação melhor, com 42,9% dizendo que acreditam em sua capacidade. "Apesar da falta de apoio, a velha guarda ainda é a mais provável solução agora", diz o cientista político Imad Ghayathah. "Ainda é muito cedo para as lideranças jovens entrarem na batalha." Extremistas Mesmo assim, observa ele, a falta de apoio da velha guarda faz com que, na formação de um governo de união nacional, ela precise levar em consideração nomes como o de Mohammed Dahlan, popular ex-chefe de segurança em Gaza, que tem o apoio dos Estados Unidos, e Jibril Rajoub, que foi chefe de segurança na Cisjordânia. Grupos como o Hamas e o Jihad Islâmico também estão sendo levados em consideração, e representantes desses grupos têm tido reuniões com membros da velha guarda para discutir o papel desses grupos em uma nova fase para os palestinos. O Hamas, por exemplo, gostaria de participar diretamente de um novo governo, mas por enquanto essa possibilidade tem sido descartada pela AP. No grande quadro de forças da política palestina, pouco deve se alterar, avalia Abdallah Abu Eid, professor do Instituto de Leis e Direitos Humanos da Universidade de Birzeit. OLP Hoje a instituição palestina mais importante é a OLP, que representa todos os palestinos. Existem cerca de 5 milhões de palestinos exilados em várias partes do mundo e perto de 4 milhões nos territórios ocupados. Arafat é o presidente da OLP e tem como vice Mahmoud Abbas - hoje ocupando a Presidência. Na hierarquia palestina, a OLP está acima da Autoridade Palestina, uma organização que foi criada apenas para cuidar dos interesses e da administração dos palestinos nos territórios ocupados. Arafat foi eleito presidente em 1996. O Conselho Legislativo Palestino (CLP) está ligado à AP e é composto por 88 parlamentares. Grande parte dos membros de todas essas organizações são políticos filiados ao Fatah, o partido político que foi fundado por Yasser Arafat e Mahmoud Abbas. Para os especialistas, a tendência é que a velha guarda continue dominando a vida política dos palestinos, tendo porém que compartilhar o bolo com uma fatia maior de grupos e partidos. Pelo menos até que ocorram eleições. |
| |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||