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Atualizado às: 05 de novembro, 2004 - 23h12 GMT (20h12 Brasília)
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Refém americano relata choque e raiva no começo da crise
Bruce Laingen
Mulher de Laingen criou símbolo de americanos em dificuldades no exterior
O diplomata americano Bruce Laingen, hoje com 82 anos, era o encarregado de negócios da Embaixada dos Estados Unidos em Teerã em 1979. Ele foi mantido como refém no Ministério do Exterior iraniano.

Hoje, Laingen é presidente da Academia Americana de Diplomacia.

Durante a crise, sua mulher, Penne, usou uma fita amarela como símbolo da luta para libertar os reféns. A fita se tornou um símbolo para os americanos que enfrentam dificuldades no exterior.

Leia abaixo trechos da entrevista de Bruce Laingen à BBC:

BBC – Quais foram seus primeiros pensamentos quando a embaixada foi tomada?

Bruce Laingen - Foram obviamente de surpresa, choque, raiva, preocupação, desdém. Todos os tipos de emoção passaram pela minha cabeça e pelas dos meus colegas durante aqueles 444 dias.

A princípio, havia confiança de que tudo poderia ser acertado com o governo revolucionário e seus líderes.

Mas, cada vez mais, eu me convenci de que nada poderia fazer para ajudar meus colegas que ficaram no outro lado da cidade. Então tive que conviver com isto por 444 dias.

BBC – Como o sr. foi tratado?

Laingen - Bom, o meu tratamento no Ministério do Exterior foi melhor que o tratamento recebido por aqueles que ficaram na embaixada, no outro lado da cidade.

Fui colocado em um quarto com dois dos meus colegas, e não pude sair de lá.

Nunca sofri nenhum tipo de maus-tratos físicos, apenas tive negado meu direito fundamental à liberdade.

Eventualmente acabei sendo levado a uma prisão e passei as três últimas semanas em uma solitária, então pude saber o que meus colegas sofreram todo praticamente todo o tempo.

BBC – Como ter sido um refém marcou a sua vida?

Laingen - Obviamente, você supera isso, se tem sorte suficiente de deixar a prisão vivo.

Eu faço esta colocação porque as tomadas de reféns de hoje em dia no Iraque incluem decapitações, e tomadas de reféns em Beirute incluíram períodos muito mais longos de maus-tratos e confinamento.

Para colegas meus que ficaram na embaixada, ficar como refém significou períodos bem mais longos de confinamento em solitário.

Eu os respeito por isso e pela forma com que lidaram com isso honrosamente.

O sr. está em contato com eles?

Laingen - Não regularmente. Não somos um clube.

Nós nos vemos ocasionalmente. Temos feito bastante contato desde que iniciamos uma grande ação judicial contra o governo do Irã por causa do que eles fizeram conosco.

BBC - Todos vocês têm a mesma visão do que aconteceu 25 anos atrás?

Laingen - Sim, temos. Nós viemos nos mantendo unidos como um grupo desde então, mesmo que não nos encontremos juntos fisicamente.

Espiritualmente e mentalmente temos estado juntos por todo este tempo.

De certa forma formamos um grupo notável, mas jamais voltamos ao Irã, não tivemos esta oportunidade.

Estamos todos absolutamente de acordo, nesta ação judicial, sobre o que o governo iraniano, e eu enfatizo “governo”, fez conosco. Afinal, o governo abraçou esta ação violenta contra nós realizada por seus próprios cidadãos.

Alguns dos comentários de outros reféns são mais agressivos.

Laingen - Claro, obviamente. Ainda há 42 que estão vivos.

Temos visões diferentes sobre o Irã, mas todos temos muito respeito pelo povo do Irã. Temos pouca estima pela teocracia que governa lá hoje em dia.

O sr. acha que os sentimentos sobre o incidente se deterioraram desde 11 de setembro de 2001?

Laingen - Sim, acho que isto é correto. Muitos de nós continuam a sentir aquele pensamento, que logo depois de 11 de setembro (nós dissemos): “Meu Deus, começou conosco”.

Quais eram as opiniões de sua esposa?(Penne, mulher de Bruce Laingen, foi uma líder do movimento pela libertação dos reféns.)

Ela ficou brava e preocupada, como todas as esposas dos reféns. Todos nós que voltamos de Teerã as vemos como verdadeiras heroínas.

25 anos depois
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