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Empresas dividem doações entre Bush e Kerry | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Os democratas acusam os republicanos de estar penhorados às empresas americanas, que jogariam dinheiro nos cofres da campanha de Bush em troca de todos os tipos de favores, de regras menos rígidas na área ambiental até redução de impostos. Mas isso não é tão simples assim. Os democratas também recebem bastante dinheiro de empresas. É muito difícil calcular os valores exatos, porque as empresas em si são proibidas de financiarem candidatos diretamente. Em vez disso, indivíduos dentro das empresas dão o dinheiro, que é computado como doação de uma empresa.
O instituto apartidário Center for Responsive Politics fez alguma somas e concluiu, no início do mês, que nas eleições de 2004 (presidenciais e para o Congresso), os democratas receberam US$ 418 milhões (R$ 1,19 billhão) de empresas e os republicanos, US$ 564 milhões (R$ 1,61 bilhão). Não é possível separar desse total o que foi só para a campanha presidencial, mas está claro que, embora os republicanos recebam mais das empresas, os democratas também estão bem. Bancos e advogados As maiores doações para a campanha de John Kerry são da Universidade da Califórnia (US$ 487 mil, R$ 1,4 milhão) e da Universidade de Harvard (US$ 320 mil, R$ 915 mil), seguidas da Time Warner (US$ 268 mil, R$ 766 mil) e Microsoft (US$ 261 mil, R$ 746 mil). Para a campanha de Bush, os maiores doadores são Morgan Stanley (US$ 573 mil, R$ 1,6 milhão), Merril Lynch (US$ 546 mil, R$ 1,5 milhão) e PriceWaterhouseCoopers (US$ 499 mil, R$ 1,4 milhão). Na verdade, os grandes bancos de investimento de Wall Street dominam a lista de doadores de Bush, US$ 8 milhões (R$ 23 milhões) para ele, a metade, US$ 4 milhões (R$ 11,5 milhões), para Kerry. De forma geral, advogados e empresas de advocacia apóiam mais Kerry do que Bush, US$ 19 milhões (R$ 54 millhões) a US$ 11 milhões (R$ 31 milhões). Balanço Normalmente, as companhias fazem doações aos dois. Bush recebeu US$ 292 mil (R$ 835 mil) do Citigroup, comparados aos US$ 257 mil (R$R$ 735 mil) que o grupo deu a Kerry. A Microsoft deu a Bush US$ 186 mil (R$ 532 mil), US$ 70 mil (R$ 200 mil) a menos do que deu a Kerry. Essa posição dupla do mundo corporativo não é cinismo das empresas, elas não estão apenas fazendo hedge (seguro) de suas posições. A questão é também que pessoas diferentes em áreas diferentes de uma empresa podem fazer doações a causas diferentes. Bill Gates, fundador da Microsoft, tende a ser mais generoso com os democratas, mas outros na empresa tendem para os republicanos. Dessa forma, o equilíbrio se altera (atualmente está se movendo para os democratas). Acesso O que as empresas ganham em troca do dinheiro? Empresas, afinal, não são instituições de caridade. Elas têm a obrigação legal de cuidar de seus acionistas e, então, o dinheiro que sai tem que significar algum benefício também. O que elas ganham, acima de tudo, é acesso. Se o executivo-chefe da Ford ou da GE chama a Casa Branca, os telefones no Salão Oval são atendidos. Lobistas de empresas tem que posicionar a empresa e sentir a brisa política antes que se torne vento e leve coisas más na direção dela. A Microsoft, por exemplo, até dez anos atrás tinha a percepção de que não precisava sujar suas mãos com a política. Em 1995, o orçamento de seu Comitê de Ação Política era de US$ 16 mil (R$ 46 mil). Agora, está bem acima de US$ 1,5 milhão (R$ 4,3 milhões). Naquela época, tinha precisamente um único lobista em Washington, agora, têm multidões deles. Democracia Isso não quer dizer que doações para causas políticas são um gesto exclusivamente cínico. Há bilionários que dão dinheiro aos democratas porque acreditam na coesão social e que a distribuição menos desigual de receitas e riquezas é importante em si, se não for para a economia. Há bilionários que fazem doações aos republicanos porque acreditam que os impostos serão mais baixos e, portanto, o crescimento da economia será maior. O que está claro é que a democracia não sai barato. O Center for Responsive Politics calcula que as eleições presidenciais e para o Congresso este ano vão custar pouco menos de US$ 4 bilhões (R$ 11 bilhões). O maior custo da história. A grande questão não respondia é: quem se beneficia dessa generosidade, grupos de interesses ou o eleitor comum? |
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