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Só diálogo pode levar à paz no Haiti, diz enviado brasileiro | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O cientista político Ricardo Seitenfus, enviado especial do governo brasileiro ao Haiti, disse que só o diálogo entre todos os grupos, forças e facções políticas do país pode levar à paz e garantir um clima favorável às eleições presidenciais marcadas para dezembro do próximo ano. “Essa questão da ausência de diálogo é um dos pontos essenciais. Temos que fazer com as partes conversem e encontrem um terreno comum de entendimento para passar por este momento de transição difícil pelo qual passa o Haiti”, afirmou Seintenfus em entrevista à BBC Brasil. Ele chegou na quinta-feira a Porto Príncipe, para uma visita de três semanas, a convite do ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim. Diretor da Faculdade de Direito da Universidade Federal de Santa Maria (RS) e especialista em Relações Internacionais, Seitenfus é autor de um livro sobre o Haiti e foi convidado a integrar o grupo liderado pelo embaixador chileno Juan Gabriel Valdez, representante do secretário-geral da ONU, Kofi Annan, para o Haiti. A declaração de Seitenfus indica que os seguidores do ex-presidente Jean-Bertrand Aristide, que renunciou em fevereiro deste ano depois de protestos e está atualmente exilado na África do Sul, também devem ser convidados a participar das negociações sobre o futuro do país. 'Separação' “Esta é uma questão que teremos que resolver. Como fazer com que aqueles que se opõem à situação atual possam encontrar um campo onde possam expressar sua vontade política”, disse, ao ser questionado sobre os violentos protestos pedindo a volta do ex-presidente. “Temos que fazer uma separação entre os bandos armados de malfeitores, de bandidos, de ladrões e os movimentos sociais e políticos”. Um trabalho de inteligência para distinguir que grupos devem ser considerados como interlocutores políticos já está sendo feito, segundo ele. Ele acha que a realização das eleições em dezembro de 2005 é possível, desde que haja a mediação política prevista entre as diferentes facções. Policiais Seitenfus também cobrou o envio de tropas prometidas por outros países para completar a força de 6 mil soldados prevista para a Força de Estabilização da ONU para o Haiti (Minustah), comandada pelo Brasil. Até o momento, apenas 3 mil homens foram enviados, dos quais 1,2 mil são militares brasileiros. “Temos a metade das forças previstas para a manutenção de uma estabilidade, de uma ordem pública. É necessário que os países que prometeram o envio de soldados, e sobretudo de policiais, o façam o mais rápido possível”, disse ele. O Brasil está cumprindo sua parte, segundo ele, mas é preciso que a comunidade internacional coloque em prática a ajuda prometida. “É necessário que a comunidade internacional se lance imediatamente em ações objetivas de limpeza pública, de restauração das vias de comunicação, projetos pontuais, pequenos”, diz. “O Brasil tem uma série de iniciativas nesta área, e é necessário que sobretudo as organizações internacionais que recolheram mais de US$ 1 milhão para auxiliar o Haiti nos próximos anos implementem imediatamente esses projetos." |
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