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Mundo ficará mais vulnerável ao petróleo, diz agência de energia | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A vulnerabilidade em relação a um choque nos preços do petróleo aumentará nos próximos anos, segundo previsão da Agência Internacional de Energia (AIE). No relatório Panorama Energético Mundial 2004, divulgado nesta terça-feira, a AIE prevê que a oferta do produto será concentrada cada vez mais em poucos países, principalmente nos membros da Organização dos Países Exportadores de Petróelo (Opep) no Oriente Médio. "A maioria desse comércio adicional terá que passar pontos de obstrução vitais, aumentando muito as possibilidades de interrupção no fornecimento", diz o texto. Pelas estimativas da agência, a demanda por petróleo continuará subindo, a 1,6% ao ano, principalmente nos países em desenvolvimento. Até 2030, o comércio internacional do produto dobrará para 65 milhões de barris por dia pelas estimativas da agência. A Opep terá uma fatia maior do mercado, aumentado sua proporção de 37% (2002) para 53% (2030), um pouco acima do seu pico histórico registrado em 1973. Preço A AIE comenta que os atuais preços do petróleo, que têm alcançado recordes de alta históricos, são "insustentáveis" e que os "fundamentos do mercado vão levá-los para baixo nos próximos dois anos". A agência calcula que o preço do petróleo cru para importação deverá recuar para US$ 22 em 2006, ficando estável até 2010 e depois subindo para US$ 29 em 2030. Alguns fatores, no entanto, poderiam manter os preços altos: subinvestimento em infra-estrutura, forte pressão de demanda, falta de disponibilidade de recursos e fatores geopolíticos. O levantamento afirma que as reservas mundiais de petróleo ainda são suficientes para atender a demanda das próximas três décadas, mas destaca a necessidade de um sistema "universal, transparente e abrangente" para reportar a quantidade de petróleo que existe no planeta. "A confiabilidade das informações sobre as reservas repassadas pelas companhias de petróleo são postas em séria questão. Dúvidas sobre a precisão das estimativas de reservas poderiam subestimar a confiança do investidor e diminuir o investimento", justifica a agência. Renováveis Segundo a AIE, que é uma agência intergovernamental criada depois da crise do petróleo nos anos 70, a demanda mundial por energia aumentará em quase 60% até 2030. Os países em desenvolvimento serão responsáveis por dois terços dessa alta. Os combustíveis fósseis (petróleo, gás e carvão) continuarão como as principais fontes de energia. As renováveis (incluindo geotérmica, solar, eólica, entre outras) crescerão mais rápido do que qualquer outra fonte de energia, mas, segundo a AIE, a proporção em relação à demanda global será de apenas 2% em 2030. A energia nuclear aumentará muito pouco, avançando na Ásia, mas diminuindo na Europa. "Os recursos energéticos mundiais são adequados para atender a demanda para 2030. O comércio internacional de energia irá expandir para acomodar o crescente desencontro entre a localização da demanda e aquela da produção." Quanto às emissões de gás carbônico, essas crescerão 1,7% ao ano até 2030, prevê a AIE. Cerca de 70% dessa alta seria proveniente de países em desenvolvimento. "Em 2010, as emissões de gás carbônico serão 39% mais altas do que em 1990." A AIE também traça um cenário alternativo para o futuro. Caso os governos introduzam políticas de meio ambiente e desenvolvam novas tecnologias, a demanda mundial de energia poderá ser 10% menor em 2030. |
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