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Presidente da Comissão Nacional de Energia Nuclear se diz 'indignado' com artigo sobre programa nuclear brasileiro | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O presidente da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), Odair Dias Gonçalves, se disse indignado e perplexo com as afirmações de um artigo publicado nesta sexta-feira na revista Science. O artigo insinua que o Brasil teria comprado tecnologia contrabandeada por um cientista alemão, Karl-Heinz Schaab, para montar as ultracentrífugas de enriquecimento de urânio da Fábrica de Combustíveis Nucleares em Resende (RJ). “É tanta desinformação que ficamos até chocados, nos preocupou especialmente por ser a Science”, afirmou Gonçalves. “Existe inclusive problema de datas. A inauguração da planta de centrífugas é de 1988, enquanto o tal cientista foi preso em 1996”, rebate o presidente da CNEN, órgão subordinado ao Ministério da Ciência e Tecnologia. “Paranóia mundial” Procurada pela reportagem da BBC Brasil, a Polícia Federal disse que não vai se pronunciar sobre as alegações envolvendo o cientista alemão. Já o Ministério da Justiça disse que está estudando o assunto e que vai comentá-lo na semana que vem. O artigo afirma que se o Brasil mudar de idéia e resolver investir em armas nucleares, “seu urânio enriquecido a 3,5% já terá recebido mais da metade do trabalho necessário para obter material para bomba". “A gente pode atribuir isso a uma paranóia mundial pós 11 de setembro e a algumas pessoas de uma corrente estranha, que chegam ao absurdo de propor que o cuidado deveria ser tal, que só alguns países poderiam ter acesso a essa tecnologia. Isso não é aceitável”, reclamou o presidente da CNEN. Em nota divulgada nesta sexta-feira, a CNEN diz que os autores “desconhecem a planta e a tecnologia brasileiras, desconhecem o andamento das negociações com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA)”. A comissão atribuiu a “leviandade das afirmações” a “desinformação ou a interesses escusos” e ressalta que as inspeções da AIEA não são baseadas apenas na contabilidade para verificar se há desvio de material, questão na qual os autores do texto da Science afirmam que os fiscais poderiam ser enganados. “Além dos registros e relatórios de material nuclear, existem verificações sobre a engenharia, verificações sobre a construção, análises destrutivas e não destrutivas do material, análises ambientais que permitem detectar, mesmo em partículas ínfimas (1/10.000.000.000.000 de grama!), o grau de enriquecimento e mesmo a estimativa da capacidade de enriquecimento da planta e sua efetiva utilização” diz a nota. À espera O Brasil aguarda uma resposta positiva da AIEA para iniciar as operações, em caráter de testes, da unidade de enriquecimento de urânio da Fábrica de Combustíveis Nucleares. A data para o começo das operações já foi adiada duas vezes neste ano, mas o Ministério da Ciência e Tecnologia espera obter o aval da agência de energia atômica da ONU até o fim do ano. A agência quer se certificar que não haverá desvio de material e que o enriquecimento será utilizado exclusivamente para atividades pacíficas, fabricando combustível para as usinas nucleares de Angra 1 e 2. O governo se nega a retirar painéis que cobrem as centrífugas, afirmando que deve proteger a tecnologia desenvolvida no país, que representaria ganhos de produtividade em relação a similares estrangeiras. |
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