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Brasil poderia produzir até seis ogivas nucleares por ano, diz 'Science' | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A planta de enriquecimento de urânio da Fábrica de Combustível Nuclear em Resende (RJ) teria condições de produzir de cinco a seis ogivas nucleares por ano, segundo uma reportagem publicada nesta sexta-feira pela revista Science. Até 2014, com os previstos aumentos na capacidade de produção, a planta poderia chegar a fabricar de 53 a 63 ogivas. O governo brasileiro afirma que só poderá enriquecer urânio até 5%, a concentração exigida pelos dois reatores elétricos. Para fabricar uma bomba atômica, o urânio precisa ser enriquecido a uma concentração de 90% ou acima. O texto da revista Science, a principal revista de divulgação científica dos Estados Unidos, alega que, ao enriquecer urânio a 5%, a planta já terá realizado mais da metade do trabalho necessário para o enriquecimento em níveis mais elevados exigidos para a fabricação de armas nucleares. Isso dá ao Brasil a capacidade de fabricar armas nucleares, segundo a revista, "antes que o mundo possa reagir". Poder semelhante ao que o Irã poderia ter hoje, na opinião dos Estados Unidos e alguns países europeus. O texto foi escrito por Liz Palmer e Gary Milhollin, do Projeto Wisconsin de Controle de Armas Nucleares, antes da visita dos inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) ao Brasil nesta semana. Irã A reportagem afirma que a conclusão das negociações entre a AIEA e o Brasil poderão gerar um precedente para o Irã ou qualquer outro país pertencente ao Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares que decida construir uma fábrica de enriquecimento de urânio. O Irã afirma que tem planos de enriquecer urânio em uma nova planta em Natanz apenas com objetivos pacíficos. Nesse sentido, os autores argumentam que, se o Brasil conseguir evitar as inspeções completas da AIEA, o Irã poderá fazer o mesmo. A reportagem afirma haver pouca evidência de que o Brasil estaria planejando se tornar uma potência nuclear, citando as declarações dadas pelo ministro da Ciência e Tecnologia, Eduardo Campos, de que os objetivos são apenas pacíficos. História nuclear Mas os autores dizem que essas declarações devem ser vistas "à luz da história nuclear do Brasil". Palmer e Milhollin apontam para o fato de que, nos anos 80, o Brasil teria tido um projeto secreto para construir uma bomba atômica. O projeto teria sido administrado pelos militares e teria sido escondido da AIEA. Em 1990, durante o governo de Fernando Collor de Mello, o Brasil repudiou o programa. Agora, diz o artigo, com a construção de uma tela de proteção ao redor das centrífugas de Resende, o Brasil está voltando a desafiar a autoridade da AIEA. Iraque O governo brasileiro afirma que o objetivo, com a colocação desse tela de proteção, é evitar que o conhecimento sobre avanços tecnológicos vaze para outros países. Os autores contestam o argumento, dizendo que a AIEA tem, ao longo dos anos, protegido segredos comerciais e dizem que o Brasil poderia estar, na verdade, tentando esconder a origem de suas centrífugas. Eles relembram a prisão no Brasil, em 1996, de Karl-Heinz Schaab, que trabalhava para uma empresa alemã produtora de centrífugas para um consórcio de enriquecimento europeu chamado Urenco, e que teria vendido desenhos dessas centrífugas para o Iraque. "Pode ser", dizem Palmer e Milhollin, "que, se os inspetores da AIEA vissem as centrífugas brasileiras, eles descobririam que o mesmo design da Urenco foi transferido" para o Brasil. |
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