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Atualizado às: 01 de outubro, 2004 - 16h58 GMT (13h58 Brasília)
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Análise: Ofensiva é início da batalha pelo futuro do Iraque

Tropas americanas em Samarra
Bagdá busca assegurar sua autoridade antes das eleições
A operação lançada por forças dos Estados Unidos e do Iraque em Samarra pode ser o início de uma ofensiva com o objetivo de assegurar a autoridade do governo interino sobre várias cidades antes das eleições planejadas para janeiro.

Apesar da violência no país, porta-vozes americanos e iraquianos insistem que o pleito vai acontecer.

Mas será ele uma disputa nacional genuína? As opiniões são contraditórias a esse respeito.

Está claro que em alguma regiões o nível de insegurança é tão grande que a votação não poderá ser realizada.

Mas, falando em Londres na quinta-feira, o premiê iraquiano, Iyad Allawi, afirmou que, até janeiro do próximo ano, "a maioria da população iraquiana poderá votar".

Para muitos observadores, é difícil ver o Iraque de hoje – com seus carros-bomba e seqüestros – como um lugar em que se pode realizar eleições efetivas.

Psicologia

A verdade é que a violência não é generalizada. Mas o número de ataques, cerca de 80 por dia em toda a extensão do país, criaram um clima e uma forte percepção de insegurança na cabeça das pessoas.

O governo iraquiano precisa, assim, vencer duas frentes de batalha, uma prática e a outra psicológica.

Ele precisa restaurar a sua autoridade em algumas cidades importantes do triângulo sunita ao norte e noroeste da capital.

Também precisa lutar pelo controle de partes de Bagdá dominadas por milícias leais ao clérigo xiita Moqtada al-Sadr.

Ao mesmo tempo, o governo de Allawi precisa convencer os iraquianos de que é capaz de lidar com grandes problemas de segurança e vencê-los.

A força é apenas parte da resposta. E apesar de todas as argumentações de que isso é um trabalho para as novas forças de segurança iraquianas, serão os americanos que terão de fazer a maior parte do serviço.

Não há dúvidas de que as forças dos Estados Unidos podem tomar o controle de cidades como Falluja. Elas têm o poder de fogo e estão treinadas para atuar em áreas urbanas.

De fato, da última vez que os fuzileiros navais atacaram Falluja, estiveram muito perto da vitória antes de receberem ordens de retirada – para desagrado de muitos de seus comandantes.

Mas vitória a que preço? Aqui fica evidente a essencial natureza política do problema.

Derrubar metade de Falluja e matar grande número de civis dificilmente fará da cidade um local ideal para eleições pacíficas. A força tem de ser usada com parcimônia.

E se as tropas americanas tiverem de estar à frente da ofensiva, devem ser retiradas o mais rápido possível e substituídas por iraquianos.

Negociações

Mas a força é só parte da solução e foi interessante observar as declarações de Allawi esta semana, quando disse que muitos contatos têm sido feitos com grupos ligados aos insurgentes.

Algumas das negociações, disse ele, estão acontencendo fora do Iraque. Muito trabalho tem sido feito pelo governo de Bagdá em busca de chefes tribais e de clãs, tentando convencê-los de que eles também têm algo a ganhar com as eleições.

Allawi estava certo ao dizer que os próximos meses vão determinar o futuro do Iraque.

As eleições não servem apenas para formar um governo novo e mais legítimo.

A nova Assembléia também terá de promulgar uma nova Constituição que equilibre as visões competitivas entre os três principais grupos do país: os xiitas, os curdos no norte e a antes dominante minoria sunita.

Os próximos meses prometem ser tumultuados. Não está claro qual será o resultado dos conflitos militares. O que está claro é que a verdadeira batalha pelo futuro do Iraque está apenas começando.

Iraque Pós-Saddam
Leia últimas análises e notícias a respeito da situação no país.
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