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No debate, Bush e Kerry têm chance de persuadir eleitor indeciso | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
No debate sobre os debates entre os candidatos presidenciais americanos que começam na quinta-feira em Miami há alguns pontos sem discussão: o primeiro dos três duelos entre o republicano George W. Bush e o democrata John Kerry será o decisivo. E ambos são bons de debate, apesar de estilos distintos. Em debates, Kerry exibe inteligência e agilidade (embora muitas vezes com condescendência) e Bush transmite o seu recado resoluto, a despeito de tropeçar na sintaxe e na impaciência. Nesse cenário, torna-se crucial o impacto que este primeiro duelo vai exercer sobre a elusiva camada dos eleitores que se dizem indecisos ou ainda em condições de mudar o seu voto. No cálculo da revista Time, 19% dos eleitores estão em uma zona cinzenta e 69% deles dizem que em função dos debates podem ir tanto para os vermelhos (republicanos), como para os azuis (democratas). Há até uma medida ainda mais dramática: uma pesquisa do Instituto Pew indica que 30% dos eleitores admitem que os debates podem influenciar o voto deles em 2 de novembro. Confirmação Debates nem sempre viram uma eleição (salvo momentos mágicos ou gafes monumentais), mas o consenso é que este ano eles serão, de qualquer forma, vitais. O primeiro debate é facilmente o mais importante na medida em que no segundo e no terceiro, os eleitores buscarão confirmar as avaliações conferidas no inicial e não obter novas informações sobre os candidatos. Stephen Hess, o consagrado especialista em presidência do Instituto Brookings, em Washington, é taxativo. Ele diz que quando Bush e Kerry estiverem debatendo questões domésticas no terceiro debate, em 13 de outubro, a eleição já poderá ter sido decidida. Para melhorar o cacife dos seus candidatos, os assessores de campanha estão recorrendo a uma jogada clássica das disputas eleitorais. Eles baixam as expectativas sobre o presidente e o desafiante. É sempre espetacular superar as expectativas, apesar do histórico de vitórias de cada um dos candidatos nos debates eleitorais que realmente contaram. 'Cícero' Matthew Dowd, o estrategista de Bush, é até exagerado nesta tática de baixar as expectativas. Ele disse que Kerry é o melhor debatedor que já concorreu à Presidência, "melhor até do que Cícero". O grande momento de John "Cícero" Kerry foi em 1996 quando ele travou uma dura batalha por sua reeleição no Senado contra o ex-governador de Massachusetts William Weld. Foi uma série de oito debates e Kerry conseguiu uma conexão pessoal com os eleitores (este é um árido desafio para ele, agora em 2004). O senador derrotou Weld por uma margem de sete pontos. Para Bush, um triunfo saboroso em debates foi em 1994 quando ele concorreu ao governo do Texas e conseguiu dar cabo da retórica articulada e ácida da governadora Ann Richards. Nos debates do ano 2000 contra o democrata Al Gore, Bush foi o grande beneficiado das baixas expectativas. Em uma era de bombardeio maciço e instantâneo de informação (seja na mídia tradicional, seja em veículos como bloggers), os debates são rara oportunidade para a opinião pública ter acesso aos candidatos sem filtros. Mas uma importante lição pode ser extraída do duelo Bush-Gore de quatro anos atrás. Somente um ou dois dias após o primeiro debate é que a análise se concentrou no exagero dos argumentos de Gore e na sua postura arrogante em relação a Bush, o bronco. Um estudo da Universidade da Pensilvânia mostrou que Gore foi perdendo pontos ao longo dos dias entre os americanos que não tinham assistido ao debate. O debate após o debate também é crucial. |
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