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Atualizado às: 29 de setembro, 2004 - 17h15 GMT (14h15 Brasília)
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No debate, Bush e Kerry têm chance de persuadir eleitor indeciso

John Kerry e George W. Bush
Pesquisa diz que 30% dos eleitores são influenciados por debates
No debate sobre os debates entre os candidatos presidenciais americanos que começam na quinta-feira em Miami há alguns pontos sem discussão: o primeiro dos três duelos entre o republicano George W. Bush e o democrata John Kerry será o decisivo. E ambos são bons de debate, apesar de estilos distintos.

Em debates, Kerry exibe inteligência e agilidade (embora muitas vezes com condescendência) e Bush transmite o seu recado resoluto, a despeito de tropeçar na sintaxe e na impaciência.

Nesse cenário, torna-se crucial o impacto que este primeiro duelo vai exercer sobre a elusiva camada dos eleitores que se dizem indecisos ou ainda em condições de mudar o seu voto.

No cálculo da revista Time, 19% dos eleitores estão em uma zona cinzenta e 69% deles dizem que em função dos debates podem ir tanto para os vermelhos (republicanos), como para os azuis (democratas).

Há até uma medida ainda mais dramática: uma pesquisa do Instituto Pew indica que 30% dos eleitores admitem que os debates podem influenciar o voto deles em 2 de novembro.

Confirmação

Debates nem sempre viram uma eleição (salvo momentos mágicos ou gafes monumentais), mas o consenso é que este ano eles serão, de qualquer forma, vitais.

O primeiro debate é facilmente o mais importante na medida em que no segundo e no terceiro, os eleitores buscarão confirmar as avaliações conferidas no inicial e não obter novas informações sobre os candidatos.

Stephen Hess, o consagrado especialista em presidência do Instituto Brookings, em Washington, é taxativo. Ele diz que quando Bush e Kerry estiverem debatendo questões domésticas no terceiro debate, em 13 de outubro, a eleição já poderá ter sido decidida.

Para melhorar o cacife dos seus candidatos, os assessores de campanha estão recorrendo a uma jogada clássica das disputas eleitorais. Eles baixam as expectativas sobre o presidente e o desafiante.

É sempre espetacular superar as expectativas, apesar do histórico de vitórias de cada um dos candidatos nos debates eleitorais que realmente contaram.

'Cícero'

Matthew Dowd, o estrategista de Bush, é até exagerado nesta tática de baixar as expectativas. Ele disse que Kerry é o melhor debatedor que já concorreu à Presidência, "melhor até do que Cícero".

O grande momento de John "Cícero" Kerry foi em 1996 quando ele travou uma dura batalha por sua reeleição no Senado contra o ex-governador de Massachusetts William Weld.

Foi uma série de oito debates e Kerry conseguiu uma conexão pessoal com os eleitores (este é um árido desafio para ele, agora em 2004).

O senador derrotou Weld por uma margem de sete pontos.

Para Bush, um triunfo saboroso em debates foi em 1994 quando ele concorreu ao governo do Texas e conseguiu dar cabo da retórica articulada e ácida da governadora Ann Richards.

Nos debates do ano 2000 contra o democrata Al Gore, Bush foi o grande beneficiado das baixas expectativas.

Em uma era de bombardeio maciço e instantâneo de informação (seja na mídia tradicional, seja em veículos como bloggers), os debates são rara oportunidade para a opinião pública ter acesso aos candidatos sem filtros. Mas uma importante lição pode ser extraída do duelo Bush-Gore de quatro anos atrás.

Somente um ou dois dias após o primeiro debate é que a análise se concentrou no exagero dos argumentos de Gore e na sua postura arrogante em relação a Bush, o bronco.

Um estudo da Universidade da Pensilvânia mostrou que Gore foi perdendo pontos ao longo dos dias entre os americanos que não tinham assistido ao debate. O debate após o debate também é crucial.

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