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Atualizado às: 24 de setembro, 2004 - 11h29 GMT (08h29 Brasília)
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Dennis Ross narra bastidores das negociações de paz no Oriente Médio

Yasser Arafat e Ahmed Qurei
Arafat e Korei participaram de iniciativa de paz em Camp David
No seu discurso esta semana na Assembléia Geral da ONU, o presidente Lula disse que "não se vislumbra melhora na situação crítica do Oriente Médio".

De fato, neste setembro que marca o quarto aniversário da segunda "intifada" palestina - com um saldo de milhares de mortos nos dois lados e as esperanças de paz destroçadas - não há muito para celebrar.

Um acordo abrangente entre israelenses e palestinos que hoje parece tão distante, parecia tão próximo dias antes do início da insurreição palestina, quando Yasser Arafat apertou a mão de Ehud Barak na residência oficial do primeiro-ministro israelense em Jerusalém. Poucas pessoas estão tão aparelhadas como Dennis Ross para relatar esta trajetória desalentadora.

Hoje o governo Bush está praticamente desengajado do processo de negociações de paz. Mas durante 12 anos (1988-2000) Dennis Ross esteve profundamente enfronhado nas conversações como enviado especial de Washington, antes a serviço do primeiro presidente Bush e em seguida mantendo o posto nos dois mandatos do democrata Bill Clinton.

Clinton fez uma aposta grandiosa e precipitada em um acordo no Oriente Médio, não apenas na questão palestina, mas no relacionamento Israel-Síria.

Ross socializa as responsabilidades argumentando que as partes em conflito são aferradas a mitologias e persistem em um comportamento destrutivo.

Arafat

Mas Ross distribui culpas individuais. Trata Barak como uma criança petulante e não esconde sua desconfiança em relação a outro dirigente israelense, Benjamin Netanyahu, mas atribui a Arafat a maior parcela de responsabilidade pelo fracasso.

Ross o considera desonesto, embora reconheça que só ele tinha autoridade moral entre os palestinos para fechar o acordo. Ross admite a parcela de culpa de sucessivos governos americanos (inclusive o atual) por não cobrarem com o devido empenho que israelenses e palestinos cumprissem o que prometiam.

Ross admite que "cada negociação é sobre uma manipulação". Quando ele soube do assassinato do primeiro-ministro Yitzhak Rabin por um extremista judeu, Ross primeiro chorou e logo depois passou a calcular como usar a tragédia para avançar o processo de paz trazendo o maior número possível de líderes árabes para o funeral em Jerusalém.

Mas este não é um livro sobre pessoas e sim sobre o processo. Ross encarna a crença de uma burocracia diplomática que o processo é essencial. Se as partes em conflito seguirem conversando, sob as condições adequadas, um desfecho positivo irá emergir. O risco é que o processo se converta em um fim em si.

O clímax, na avaliação de Ross, foi na negociação de Camp David sob a batuta de Clinton há quatro anos, quando Barak se dispôs a devolver a faixa de Gaza e 95% da Cisjordânia para os palestinos. Arafat recuou e o desfecho foi a eleição de Ariel Sharon.

Críticos palestinos como o falecido Edward Said sempre discordaram desta versão da história, dizendo que a oferta não era tão generosa assim pois o preço para os palestinos era abrir mão do "direito do retorno" a Israel.

Ao longo do processo, o californiano Dennis Ross foi alvo de outras críticas. Muitos árabes o atacavam por ser muito judeu. Muitos judeus, por ser pouco judeu.

Futuro

Ross argumenta que um eventual acordo de paz seguirá as linhas das propostas da era Clinton. Seus pontos principais são:

- os palestinos terão de volta quase toda a Cisjordânia, recebendo um naco de terra israelense para compensar a perda.

- os palestinos terão apenas um simbólico "direito de retorno" a Israel.

- em Jerusalém, bairros árabes ficarão sob autoridade de um novo Estado palestino e bairros judaicos continuarão sob jurisdição israelense, com arranjos especiais de soberania nos lugares santos.

Mas quando este milagre vai acontecer? Após o colapso das conversações de Camp David, o negociador palestino Ahmed Korei (hoje primeiro-ministro) disse a Dennis Ross que a paz estava a 50 anos daquele fracasso ou simplesmente do outro lado de uma porta fechada com ambas as partes de posse da chave.

Dennis Ross
The Missing Peace
Farrar, Strauss & Giroux
840 páginas, US$ 30

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Saiba mais sobre o conflito entre Israel e palestinos.
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