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Atualizado às: 16 de setembro, 2004 - 11h29 GMT (08h29 Brasília)
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Ação no Iraque foi ilegal, diz Annan; coalizão reage
Kofi Annan, secretário-geral da ONU
Para Annan, falta de segurança pode ameaçar eleição no Iraque
O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, disse em entrevista à BBC que considera que a invasão do Iraque, liderada pelos Estados Unidos no ano passado, foi ilegal.

"Eu tenho indicado que ela (a invasão) não está em conformidade com a carta (de normas) da ONU do nosso ponto de vista e, do ponto de vista da carta, ela foi ilegal", disse.

As declarações de Annan provocaram nesta quinta-feira reações de autoridades da Grã-Bretanha e da Austrália, que rejeitaram a opinião do secretário-geral da ONU. Os dois países apoiaram a invasão do Iraque.

O governo britânico disse que o próprio procurador-geral da Grã-Bretanha determinou na época que havia uma base legal para invadir o Iraque.

O primeiro-ministro australiano, John Howard, também rebateu a afirmação de Annan e afirmou que a ação militar foi inteiramente válida em termos de direito internacional.

Howard ainda aproveitou para criticar a ONU ao dizer que a organização fica freqüentemente paralisada pela necessidade de um consenso entre os seus membros.

Unilateralismo

Na entrevista à BBC, Annan ressaltou que a decisão de realizar qualquer ação contra o Iraque deveria ter sido tomada pelo Conselho de Segurança da ONU, não unilateralmente por um Estado membro, como os Estados Unidos.

"Eu sou um daqueles que acredita que deveria ter havido uma segunda resolução, porque o Conselho de Segurança indicou que, se o Iraque não colaborasse, haveria conseqüências", explicou.

O secretário também disse que a comunidade internacional tem aprendido lições dolorosas desde que a guerra no Iraque começou e que a melhor maneira de lidar com essas questões é por meio da ONU.

Sobre a previsão de que eleições sejam realizadas no Iraque em janeiro, Kofi Annan afirmou que pode não haver condições para realizar um pleito confiável se as condições de segurança no Iraque continuarem sendo como as atuais.

"Nós vamos dar conselhos e assessoria a eles (os iraquianos), eles vão comandar as eleições, não nós. Nós vamos estar dando conselhos e assessoria, e eu espero que eles sejam capazes de fazer tudo o que têm que fazer, mas, obviamente, a segurança será um fator", disse.

"A avaliação terá que ser feita pelo governo iraquiano, se eles vão realizar as eleições. Nós vamos lhes dar apoio."

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