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Atualizado às: 22 de setembro, 2004 - 22h59 GMT (19h59 Brasília)
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Britânicos vivem combates mais intensos 'desde 53'

Soldado americano no Iraque
Soldados britânicos mantêm alerta ao patrulhar as ruas de Basra
Apenas nas últimas duas semanas, houve centenas de mortes, atentados suicidas, decapitações e mais pessoas seqüestradas no Iraque.

Nenhuma unidade britânica teve um "contato", como os militares gostam de dizer, tão intenso desde a Guerra na Coréia (1950-1953).

Há algumas estatísticas: no mês passado, o Exército britânico disparou 100 mil vezes suas armas no sul do Iraque. Uma base militar em Al-Ammara foi alvo de mais de 400 tiros de morteiro.

O batalhão britânico que lá está baseado contabilizou 853 ataques de diferentes tipos: com morteiros, bombas, foguetes e metralhadoras.

Quando visitei Basra, há exatamente um ano, a cidade, no sul iraquiano, era suficientemente segura a ponto de nós podermos ficar sozinhos.

Desta vez, nem em sonhos. A possibilidade de sermos seqüestrados é grande demais. Por outro lado, é verdade que houve avanços sólidos e reais neste ano que se passou.

Não há mais em Basra filas para comprar gasolina nos postos, ou violentas manifestações por falta de combustível, como havia antes. Os blecautes duram menos. E as exportações de petróleo pelo sul iraquiano estão hoje em 2,9 milhões de barris/dia.

Najaf

Um ano atrás, o Exército britânico ainda estava comemorando o fato de estar controlando uma das áreas mais pacíficas do Iraque.

Se alguém tivesse previsto que tudo isso que vem ocorrendo fosse ocorrer, seria acusado de ser um grande agourento.

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Os britânicos dizem que poderiam ter acabado com insurgentes xiitas

Oficiais do Exército definem os eventos de agosto como meramente um lapso de violência. Eles dizem, com uma certa razão, que os problemas tiveram uma razão específica.

Os americanos estavam, ao mesmo tempo, combatendo militantes xiitas leais ao clérigo Moqtada Al-Sadr em Najaf. A revolta deles acabou contaminando Basra e Al-Ammara.

A ira foi alimentada pela crença geral de que as forças dos Estados Unidos estavam atacando dois santuários sagrados em Najaf.

No ápice da crise, um líder xiita em Basra disse a um oficial britânico: "Há muitos moderados aqui que apóiam vocês. Mas se os santuários foram tocados, eu mesmo mato você."

Temores de revolta

No final, um acordo de paz em Najaf trouxe paz ao resto do sul também. Como os santuários não foram tocados, apenas cerca de 400 militantes decidiram manter a luta contra as forças multinacionais em Basra.

Ainda assim, em uma área em que 99% das pessoas são xiitas, o maior temor para os britânicos é de que se inicie uma revolta generalizada.

Às vezes, parece que os soldados estão cuidadosamente caminhando sobre um vulcão, se perguntando sobre a pressão que está aumentando sob seus pés.

Os britânicos – com tanques, apoio aéreo e milhares de soldados – dizem que poderiam ter atacado e destruído a pequena milícia.

Mas a população local pediu a eles que não transformassem Basra numa zona de guerra. Por causa disso, a maioria das pessoas ainda os vê com simpatia.

Gratidão

Nós acompanhamos uma patrulha britânica na estrada entre Al-Ammara a Basra em que veículos foram solicitados a parar para serem vistoriados.

No bloqueio militar em que ficamos, os motoristas eram obrigados a sair dos veículos e mostrar documentos, enquanto os soldados olhavam debaixo de seus assentos e no porta-malas em busca de armas ilegais.

Nenhum motorista ou passageiro mostrou estar ressentido por isso. Um deles explicou que os seqüestros eram um problema particularmente sério naquela parte da estrada.

Os grupos armados geralmente seqüestram um motorista, seu caminhão e a sua carga, e depois pedem à empresa afetada um resgate por todo o conjunto.

Muitos motoristas são mortos. Por isso, não é de surpreender que as pessoas estão felizes de ver a presença militar britânica.

Intimidação

O problema é que muito poucas pessoas estão ativamente apoiando a luta contra os militantes.

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Britânicos perderam suas ilusões de transição pacífica no sul do Iraque

Uma violenta campanha de intimidação, por parte dos rebeldes, também não ajuda a mudar essa situação.

No mês passado, cinco faxineiras que trabalhavam em uma base britânica foram mortas quando estavam indo para o trabalho.

Dois tradutores desapareceram. Suas cabeças apareceram perto da entrada da base britânica.

Mas talvez o mais preocupante desdobramento da violência no mês de agosto é que nenhum dos 25 mil policiais de Basra ofereceu sua ajuda aos soldados britânicos. Muitos dos policiais até mesmo ajudaram os militantes.

Eu me encontrei com um dos conselheiros políticos que ajudam o comando militar na região. Segundo ele, toda vez que visita Basra, as coisas parecem "um passo a mais piores".

A melhor coisa que pode acontecer, explicou, seria que um novo governo islâmico fosse eleito em janeiro e pedisse que as forças multinacionais deixassem o Iraque.

Estratégia de saída

Eleições de fato fazem parte de uma estratégia de saída das tropas, mas não dessa forma.

A esperança é que as eleições nacionais de janeiro resultem na indicação de um governo com autoridade e legitimidade para encarar autonomamente os grupos armados.

Contudo, eleições locais na área controlada pelos britânicos nesta semana resultaram em um comparecimento de apenas 15% dos eleitores às urnas.

Uma eleição para o governo nacional com tão baixo comparecimento de eleitores seria um fator que poderia levar à guerra civil que algumas fontes de inteligência americanas acreditam que está a caminho no Iraque.

Esse é certamente o pior cenário. Mas, o que quer que aconteça, oficiais britânicos não têm mais a ilusão de que a extremidade sul do Iraque, que têm sob seu controle, está imune à violência.

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