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Atualizado às: 21 de setembro, 2004 - 01h36 GMT (22h36 Brasília)
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Lula espera acordo com EUA para combate à fome

O presidente Lula e o presidente chileno, Ricardo Lagos, em reunião em Nova York nesta segunda-feira (foto: Marcello Casal/Abr)
Lula acredita que as eleições deste ano nos EUA podem estar prejudicando avanços
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta segunda-feira, em Nova York, que espera que as posições americanas se aproximem daquelas defendidas no relatório apresentado na ONU com propostas para financiar o combate à fome e à pobreza.

O relatório apresentado na reunião da Ação Mundial contra a Fome e a Pobreza traz, entre outras idéias consideradas inovadoras, a proposta de um imposto sobre armas pesadas e sobre transações financeiras internacionais para custear programas sociais.

Mas a representante do governo americano na reunião, a secretária de agricultura Anne Veneman, criticou duramente as idéias, afirmando que a criação de impostos internacionais é "antidemocrática e fora da realidade".

"Temos também de lembrar que os Estados Unidos estão agora em um momento de eleições e que coisas que pareciam impossíveis este ano podem parecer possíveis no ano que vem (quando acabar o período eleitoral)”, disse Lula. “Até pouco tempo nem estávamos certos de que os Estados Unidos iriam participar de nossa reunião então estou muito satisfeito com a participação dela (a secretária Anne Veneman)."

Pressão

O presidente da França, Jacques Chirac, também avaliou que o momento eleitoral nos Estados Unidos dificulta as negociações como essas.

"Vamos esperar que a situação se acalme e que as posições definitivas sejam tomadas", disse Chirac.

O presidente francês observou, no entanto, que os americanos podem acabar tendo de ceder por conta do número de países apoiando a ação contra a fome.

 Em política, já vi milhares de pessoas serem contra uma coisa em um dia e favoráveis no dia seguinte. O tempo que vamos passar discutindo estas propostas vai permitir que as posições se aproximem e que quem não gostar de alguma coisa pode propor alternativas. O que sabemos, é que do que jeito que está não pode ficar.
Luiz Inácio Lula da Silva, sobre a resistência americana às propostas de combate à fome e à pobreza

"Por mais fortes que sejam os Estados Unidos, não podemos imaginar uma resistência durável e vitoriosa a uma iniciativa já aprovada por 110 países, que estão criando um movimento político totalmente novo", disse Chirac.

O presidente francês disse que vai propor a discussão sobre a pobreza na próxima reunião do G-8 (o grupo dos sete países mais ricos do mundo e a Rússia) que acontece no meio do ano que vem.

Cartão de crédito

O relatório apresentado na ONU também traz algumas propostas bem menos polêmicas no cenário internacional, como a criação de um cartão de crédito de afinidade, para permitir doações individuais em todo o mundo.

"As propostas mais fáceis são aquelas que envolvem diretamente o indivíduo, como a capacidade de doar mensalmente algum dinheiro por meio de um cartão de crédito", disse o presidente chileno, Ricardo Lagos.

"Uma coisa muito importante, tanto em relação aos indivíduos quanto em relação aos governos, é que haja um controle muito estrito para que todos saibam exatamente como está sendo usado este dinheiro", disse.

Lagos também citou a proposta de incentivar a competição entre as empresas que fazem remessas internacionais de dinheiro - para reduzir o custo dos envios de recursos de emigrantes para seus países de origem - como uma idéia de execução mais simples entre aquelas apresentadas na ONU.

Doações

O primeiro-ministro da Espanha, José Zapatero, disse que seu país vai aumentar significativamente no ano que vem o perdão de dívidas dos países mais pobres do mundo.

"Uma de nossas idéias é ligar o perdão das dívidas ao acesso das crianças à escola primária", explicou Zapatero.

Quase 60 chefes de Estado ou de Governo participaram da reunião para discutir o combate à fome na ONU.

O encontro foi pedido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva com o apoio dos presidentes do Chile, da França e do primeiro-ministro da Espanha.

Os quatro líderes concederam uma entrevista coletiva conjunta ao final do evento.

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