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Congresso chinês consolida poder do presidente Hu Jintao | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Com a saída do ex-presidente Jiang Zemin da liderança das forças armadas da China, neste fim-de-semana, o atual presidente Hu Jintao passou a acumular as duas funções e, de acordo com analistas, consolidou seu poder no país. Como diria o legendário Mao, "o poder vem de um barril de pólvoras". Essa filosofia tem sido o suporte do opaco e misterioso sistema político do país e, por essa razão, a decisão de Jian Zemin de renunciar ao posto três anos antes do fim de seu mandato marca a real entrega de poder. A decisão foi anunciada no encerramento do Congresso do Partido Comunista (PC) da China, no domingo. É a primeira transição ordeira completa de poder desde a revolução comunista de 1949. Carta Em uma carta lida na televisão estatal, Jiang Zemin disse que renunciava pelo bem do partido, das forças armadas e do país. Ele afirmou que a indicação de Hu Jintao para o posto demonstrou "a absoluta liderança do partido sobre as forças armadas". Sua saída foi recebida com surpresa, tanto pelo público como pelos analistas. A imprensa oficial deu uma cobertura intensa a Jiang nas últimas semanas, falando até mesmo de visitas secundárias feitas por ele há 15 anos, o que fomentou rumores de que havia uma briga de poder entre ele e Hu. "Há um pouco de especulação de que Jiang foi colocado de lado, já que existiam pressões sutis sugerindo que ele deveria renunciar", disse o cientista político Joseph Cheng, da Hong Kong City University. Mas Cheng afirmou que poderia haver uma outra explicação para a saída do ex-presidente das forças armadas. "Ele basicamente assegurou o que ele gostaria como líder que se retira", disse o analista. "Seus apadrinhados sempre ocuparam posições muito importantes na hierarquia de liderança, então ele sente que assegurou um lugar respeitável na história do partido." Liderança coletiva A questão real agora é que diferença um novo chefe do Exército pode provocar na China. Analistas da China tendem a acreditar que a direção das políticas já foi acertada pela liderança coletiva. Portanto, é improvável que mude devido a diferenças pessoais. Lin Shaowen, da Rádio Internacional da China, não espera uma reforma substancial. "Não é mais um sistema em que um homem pode ter a palavra final", disse ele à BBC. "No passado, Mao Zedong poderia mudar decisões (sozinho). Mas agora é uma era de liderança coletiva - realmente coletiva - e nenhum homem pode mudar decisões feitas por outros." Mas há uma grande expectativa de mudança em Taiwan. "As políticas vão provavelmente diferir da era de Jiang Zemin, e deve haver uma abordagem mais flexível de Taiwan", diz o analista militar Andrew Yang. "Acho que Hu Jintao é uma pessoa muito mais pragmática e vai ter mais interesse em estabelecer ligação direta com Taipei e deixar de lado a disputa por uma China única", disse. Uma idéia que tem gerado discordância entre líderes é o conceito de crescimento da "China Pacífica", uma idéia inicialmente exposta por Hu e pelo primeiro-ministro Wen Jiabao, mas em seguida se esqueceu da idéia, depois de enfrentar resistência de outros líderes, como Zemin. O conceito é que, com aumento da pressão internacional sobre a China, também deveriam crescer seus esforços para manter a paz. David Zweig, da Universidade de Hong Kong de Ciência e Tecnologia, disse que a aposentadoria de Jiang deve facilitar a aceitação desse conceito. "Acho que é muito importante para o mundo que a China reconheça seu poder crescente, mas aceite a responsabilidade desse poder", defende. "Jiang não aceitava mandar essa mensagem por causa de todo o problema de Taiwan." Obstáculos Uma das maiores questões que restam é se Jiang está realmente se retirando da política ou tem intenção de se tornar um articulador de bastidores. Cinco dos nove membros de comitê mais poderoso do partido são vistos como aliados de Jiang. Zweig tem poucas dúvidas de que Jiang vá usar esse fato em seu benefício. "É claro que ele vai exercitar sua influência com os aliados (...) e que eles vão tê-lo como referência porque podem se sentir ameaçados e esperam proteção de Zemin." Assim, o caminho adiante para a nova liderança pode ainda ser pontuado com obstáculos. Num discurso na semana passada, Hu deixou claro seu objetivo de melhorar a gestão do partido ao aumentar a transparência de suas contas. Cheng acredita que os novos líderes podem entrar numa batalha se quiserem agir dessa maneira. "As principais áreas em que os novos líderes gostariam de deixar sua marca serão provavelmente a de reforma política e combate à corrupção", diz Zweig. "Essas duas questões estão relacionadas à determinação deles de remover interesses de membros contrários à reforma. Acho que o teste real é se os novos líderes estarão agora numa posição de mostrar sua determinação política para impulsionar futuras reformas." |
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