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Lucas Mendes: Agitador, barulhento e zangado | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Nova York não é de briga. Nem de amor. É de dólares. Desde quando a cidade passou pacificamente de mãos holandesas para inglesas, os conflitos da cidade são resolvidos dentro do princípio que a solução precisa ser boa para todos envolvidos. Apesar das promessas de lucros, a convenção republicana pode dar prejuízo, como foi o caso da democrata em Boston. Taxistas, restaurantes, empresas de turismo e o comércio perderam dinheiro. A indústria hoteleira e os donos de bufê ganharam dinheiro, mas Boston vai levar anos para recuperar os prejuízos. Em Nova York, os convencionais também terão transportes especiais, vão comer e beber em festas particulares e terão barcos e carros à disposição quando quiserem fazer turismo. Quem vai gastar dinheiro? A turma do protesto. Os organizadores falam em 250 mil, cinco vezes mais gente do que o pessoal envolvido com os trabalhos dentro da convenção. Estão chegando para gritar contra Bush, mas precisam comer, beber e dormir. A cidade criou cupons e botões oferecendo a eles descontos em restaurantes, lojas, teatros, shows e até hotéis. Tão logo surgiram, esgotaram e ninguém exigiu atestado de anti-Bush. Quem pediu, recebeu, e quem não recebeu está reclamando. Para identificar os protestadores e promover o espírito cívico, os botões que dão direito a certos descontos vêm com a frase ativista político pacífico. Nada mal em troca de um abatimento de 20% no restaurante, mas não para Dick Adams. No botão que recebeu, ele apagou a frase ativista político pacífico e escreveu agitador, barulhento e zangado. Está vindo de Boston pra botar a boca no mundo. |
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