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Atualizado às: 19 de agosto, 2004 - 11h13 GMT (08h13 Brasília)
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ONU pode servir de 'contrapeso' à presença americana no Iraque

Prédio da ONU destruído pelo atentado de agosto de 2003
Ataque em Bagdá foi um marco na história da ONU no Iraque
Um ano depois do ataque à sede da ONU em Bagdá, que deixou 22 mortos, incluindo o brasileiro Sérgio Vieira de Mello, a presença do novo representante da organização no Iraque é encarada como o possível início de uma nova fase para a ONU no país.

Para o diretor da organização Iraq Revenue Watch, Isam Al-Khafaji, o paquistanês Ashraf Jehangir Qazi, que chegou a Bagdá na semana passada, já deu mostras de que poderá servir como um contrapeso ao modo de pensar dos americanos.

"Ele deu declarações em relação a Najaf dizendo que a opção militar não é a única opção, por exemplo. Ele mostrou a sua intenção de servir como intermediário nesse conflito. É um bom sinal", afirmou Al-Khafaji.

Na opinião do iraquiano, o que a população do país espera da ONU é justamente uma postura que neutralize a 'atitude unilateral' dos Estados Unidos.

Para o professor do Instituto Português de Relações Internacionais e Segurança, João Domingues, à medida em que o processo político se encaminha no Iraque, a ONU pode ganhar mais espaço.

"O papel da organização é cada vez mais forte, apesar do que muitos preconizavam. Hoje, muitos reconhecem o valor que a ONU tem", afirma Domingues.

Choque

Na opinião do acadêmico português, a tragédia de agosto do ano passado e as diferenças existentes dentro do Conselho de Segurança em relação ao Iraque fizeram com que a organização revisse o seu papel.

"A organização acreditava que por representar todos os Estados, estaria a salvo de ações desse tipo. Mas percebeu que também está sujeita a ações de grupos terroristas. Essa foi uma nova realidade enfrentada pela ONU, e a organização passou a pensar em meios de lidar com situações como essa", afirma Domingues.

Uma das funcionárias da instituição em Bagdá na época do atentado, Veronic Taveau, afirma que, para a ONU, existe uma fase antes e outra depois do dia 19 de agosto de 2003.

Veronic diz que o ataque não foi apenas um grande choque, mas também uma ação completamente inesperada.

"Nós pensávamos que, porque trabalhávamos para a ONU e porque levávamos a bandeira azul da organização, estaríamos protegidos, mas nós estávamos errados", afirma.

Isam Al-Khafaji diz que os iraquianos têm um sentimento duplo em relação a ONU.

"Por um lado, eles viam a ONU como uma instituição que havia adotado o pior embargo econômico da história do país. Por outro, eles são suspeitos da atitude americana, então precisam de alguém para neutralizar essa atitude", afirma.

Legitimidade

Al-Khafaji afirma que existe a consciência de que há um limite no papel que a organização pode representar.

"Os Estados Unidos perceberam que precisam do mundo e da ONU, mas há limites. Há questões, como as relacionadas à segurança, nas quais eles não estão preparados para ceder", afirmou.

Para o vice-representante da ONU no Iraque, Ross Mountain, que coordena os trabalhos no escritório de Amã, na Jordânia, o papel da ONU hoje no Iraque é pelo menos tão importante como o que a organização tinha há um ano.

"O foco mais atual tem sido nas ações políticas, mas nós não podemos esquecer que nós realizamos também os trabalhos de ações humanitárias e de assistência ao novo governo interino para que a população possa ter acesso a determinados serviços", afirma.

Mountain diz acreditar que a comunidade internacional, as forças políticas e a população iraquiana esperam da ONU um papel mais importante.

"Nós representamos a legitimidade internacional nesse processo todo, e esse é um aspecto que todos os atores agora entendem", afirmou Mountain.

ONU em BagdáUm ano depois
ONU afirma que permance alvo potencial no Iraque.
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