|
Observadores reconhecem vitória de Chávez | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Os dois principais grupos de observadores internacionais que supervisionaram o referendo na Venezuela disseram nesta segunda-feira que concordam com os números oficiais que apontaram a vitória do presidente Hugo Chávez. "Segundo as análises de nossas próprias fontes, temos condições de dizer que as nossas informações coincidem com os resultados parciais anunciados nesta madrugada", disse o ex-presidente americano Jimmy Carter, representante do Centro Carter, e um dos mais importantes observadores da votação. O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), César Gaviria, disse que os observadores estão "dispostos a trabalhar com a oposição se houver queixas específicas" ou para que a oposição receba "informações específicas" para validar o referendo. "Não encontramos, todavia, nenhum elemento de fraude no processo", disse Gavíria. "É responsabilidade dos venezuelanos assumir os resultados e trabalhar juntos." Elogios Segundo dados do Conselho Nacional Eleitoral (CNE), divulgados na tarde desta quarta-feira, que levam em conta já 74% as atas de votação (documento físico produzido pelas mesas de votação), o presidente Hugo Chávez recebeu pelo menos 4.917.279 votos favoráveis (57,83%), enquanto a opção que pedia a sua saída contou com pelo menos 3.587.835 (42,64%). O secretário da OEA disse ainda que está "seguro que o sistema usado não pode ser manipulado". Carter afirmou ainda que um dos grupos da oposição também fez sua própria contagem e entregou o resultado aos observadores na manhã desta segunda-feira. Segundo o ex-presidente americano, por essa contagem, o resultado pelo "não", a favor de Chávez, foi de 55% e o pelo "sim", de 45%. Tanto Carter quanto Gavíria elogiaram o processo. Acusações Gavíria disse que também teve acesso a contagens de outras fontes ligadas à oposição cujos números indicavam uma margem menor de vitória para Chávez – 52% para o presidente e 48% para a oposição. No entanto, o secretário-geral da OEA afirmou que não foi visto em nenhum caso "as discrepâncias" denunciadas na noite de domingo. Carter disse que deve ficar na Venezuela até quarta-feira. O pronunciamento dos observadores foi mais um duro golpe para a oposição, que, logo após a divulgação do primeiro boletim de resultados, afirmou que houve fraude na votação. Pouco antes da coletiva de imprensa dos observadores internacionais, membros da Coordenaria Democrática – entidade que reúne os principais grupos de oposição – convocaram uma manifestação para contestar os resultados do plebiscito. "Precisamos ir para a rua de forma pacífica, com uma mobilização pacífica", disse o presidente da Aliança Bravo Pueblo, Antonio Ledezma. No entanto, após o anúncio dos observadores dando apoio ao resultado, Alberto Quirós Corradi, um dos porta-vozes da oposição, afirmou que a expectativa é que as atas mostrem o mesmo resultado que o levantamento eletrônico. Ainda assim, ele afirmou que as pesquisas de boca-de-urna da oposição mostram uma vitória que isso poderia indicar uma fraude nas máquinas. “É possivel que as máquinas mostrem um resultado (ao eleitor) e registrem outra (em seu software)”, disse ele. A resposta do CNE a essa afirmação é que as máquinas foram auditadas pela oposição, assim como pelo governo e por observadores, antes do processo e que todas mudanças pedidas para melhorar a segurança foram feitos. Repercussão brasileira Na República Dominicana, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, disse que conversou com o embaixador Walter Pecly (representante brasileiro na OEA que chefia a missão de observadores da organização), com o ex-presidente Carter e com Gavíria e recolheu de todos "uma opinião positiva". "Uma opinião de que embora não tenha sido feita uma auditoria completa, que os dados todos de que eles dispõem, ainda que por amostragem, corroboram os resultados de parciais anunciados pelo Conselho Nacional Eleitoral", disse Amorim. "O nosso esforço com a criação do Grupo de Amigos, que teve o papel de facilitar o diálogo, trouxe os venezuelanos a esta situação (de um referendo justo)." O ministro disse que existe um grande reforço para a democracia na América do Sul e que o Brasil está tendo um papel importante nisso. "Recebi uma mensagem do (secretário-geral da ONU) Kofi Annan agradecendo a participação do Brasil e do presidente Lula." "Nós nunca nos sentimos propriamente limitados na nossa relação com a Venezuela, mas obviamente pesavam dúvidas, muita gente dizia que ele não teria o apoio popular. Então, acho que isso agora vai se tornar ainda mais fluído", disse Amorim. De acordo com a assessoria do presidente, Lula telefonaria para Chávez na tarde de segunda-feira para conversar com o líder venezuelano sobre o resultado do referendo. * Colaborou Paulo Cabral |
| |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||