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Venezuela adia novamente prazo final de referendo

Vila em zona eleitoral na Venezuela
Filas quilométricas marcaram o referendo deste domingo
O Conselho Nacional Eleitoral (CNE) venezuelano adiou pela segunda vez neste domingo o prazo final para o referendo que decide se o presidente Hugo Chávez fica ou não em seu cargo.

Às 20h deste domingo (21h em Brasília), quando terminava o prazo anunciado à tarde, o conselho fez um anúncio em cadeia nacional de televisão dizendo que o novo prazo passou a ser a meia-noite deste domingo.

O prazo inicial para o fechamento das zonas eleitorais era às 16h, mas o grande volume de eleitores e o atraso no processo acabou levando aos sucessivos adiamentos.

O presidente do CNE, Jorge Rodriguez, afirmou que o motivo da persistência das filas “se deve ao nível histórico de comparecimento às urnas”.

Segundo ele, a presença pode bater recordes mantidos por mais de 20 anos.

A expectativa é que a abstenção fique abaixo de 20%. A título de comparação, na eleição de Chávez, em 2000, esse nível ficou em 40%.

Resultado final

Espera-se que o Conselho leve de duas a três horas para divulgar o resultado após ao final da votação. No entanto não se sabe se isso ocorrerá.

Por lei, o resultado tem que sair em três dias, porém, há uma grande expectativa de que os resultados saim o mais rápido possível.

Ao longo da semana que antecedeu o referendo, a oposição ameaçou apresentar seus próprios levantamentos caso o resultado oficial demore muito.

O governo, os membros da CNE e os observadores internacionais pediram para que não se divulguem dados que não os oficiais.

Filas

Os eleitores se mostraram calmos e resolutos nas filas ao longo do dia, mesmo com uma espera que passou de oito horas – e ainda continua.

Para a dona-de-casa Maria Freitas, que ficou mais de oito horas na fila, a demora “valeu apena”.

“É um dia muito importante, porque aqui se define a democracia venezuelana”, disse ela depois de sair de um centro de votação no centro de Caracas.

Às 6h da manhã, horário previsto para o início da votação, em várias regiões as filas já estavam grandes.

Apesar das filas litertalmente quilométricas, a maoiria dos venezuelanos se manteve resoluta.

“Cheguei às 6h da manhã, e estou aqui porque esse é um direito fundamental do cidadão”, afirmou o comerciante José Antonio Dias. Ele fez a afirmação às 14h30 da tarde, pouco antes de entrar na sala de votação em uma zona eleitoral de Caracas.

O máximo que se podia ver ao longo do dia como manifestação de insatisfação com a demora eram grupos de pessoas gritando “queremos votar”, normalmente toda vez que aparecia uma câmera de televisão por perto.

O referendo encerra uma disputa que dura desde abril de 2002, quando, após um golpe que tirou Chávez do poder por dois dias, a oposição começou a pedir que o mandato do presidente fosse colocado à prova em um plebiscito.

A Constituição venezuelana, alterada pelo próprio Chávez em 1999, permite o plebiscito para todos os cargos eleitos a partir da metade do mandato.

Segundo dados da CNE, 14.037.000 eleitores puderam votar neste domingo.

Para vencer a disputa e tirar Chávez da Presidência, a oposição precisa ter no mínimo mais de 3.757.773 votos (o número obtido por Chávez nas eleições de 2000).

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