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Filas e calma marcam início de votação na Venezuela | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A votação no referendo venezuelano que define o futuro do presidente Hugo Chávez começou neste domingo com muitas filas, lentidão e calma. Segundo dados do Conselho Nacional Eleitoral (CNE), que controla o processo, não há problemas na grande maioria das zonas eleitorais do país: 98,7% estariam funcionando sem problemas às 9 horas da manhã. Apenas um Estado, Anzuoategui, apresentou problemas nas instalações das urnas – há 12.351 zonas eleitorais, e previa-se a utilização de 19.664 máquinas para o voto. Segundo o CNE, nesse Estado até a manhã deste domingo estavam instaladas 92% das máquinas. Expectativas Em todo o país, desde a madrugada estão se formando filas enormes na grande maioria dos colégios eleitorais. Em Caracas, é possível ver filas em dezenas de colégios onde estão ocorrendo a votação. A expectativa do Conselho Eleitoral é que o comparecimento nas urnas bata recordes. “Historicamente, temos uma abstenção da ordem de 40%”, afirma a técnica do CNE Mariela Major. “Hoje, pela participação que estamos vendo, nossa expectativa é de que a abstenção fique abaixo dos 20%.” Também há expectativa que a votação se estenda pela noite. Por lei, a eleição acaba às 16 horas (17 horas em Brasília), mas a legislação também prevê que as zonas eleitorias fiquem aberta até os últimos eleitores votarem. Como a demora é grande, alguns membros do CNE já falam em votação até a meia-noite, embora não exista uma previsão oficial. O resultado é esperado para duas ou três horas depois de fechadas as urnas. Filas Nas filas, os eleitores estão se mostrando calmos e resolutos. “Acordei às 3h da manhã e cheguei na fila às 5h “, diz a advogada desempregada Lenys Briceño, eleitora de Chávez que vota no Manicômio, um dos bairros mais pobres da capital. Às 9h da manhã ela ainda não havia votado e esperava permanecer na fila por pelo menos mais duas horas. Apesar disso, perguntada se iria desistir ela disse: “Claro que não. Fico até votar”. Para a comerciante e simpatizante da oposição Maria Gomes, que chegou a sua zona eleitoral na região nobre conhecida como Country Club às 7h30, o processo “está um pouco lento, mas estou na fila com muito gosto; vale o sacrifício”. Definição O referendo decide se Chávez terminará seu mandato, que vai até o início de 2007. O referendo encerra uma disputa que dura desde abril de 2002, quando, após um golpe que tirou Chávez do poder por dois dias, a oposição começou a pedir que o mandato do presidente fosse colocado à prova em um plebiscito. A Constituição venezuelana, alterada pelo próprio Chávez em 1999, permite o plebiscito para todos os cargos eleitos a partir da metade do mandato. Segundo dados da CNE, 14.037.000 eleitores podem votar neste domingo. Para vencer a disputa e tirar Chávez da Presidência, a oposição precisa ter no mínimo mais de 3.750.000 votos (o número obtido por Chávez nas eleições de 2000). Para os partidários dos dois lados e especialistas, o plebiscito representa a escolha entre dois modelos políticos muito diferentes e uma oportunidade para diminuir a divisão em que o país está mergulhado. “Os venezuelanos vão escolher (neste domingo) que modelo querem”, afirmou Rodolfo Sanz, chefe do comando da campanha pró-Chávez. “Acreditamos que o Estado tem um papel importante na construção do país e que precisamos acabar com a desigualdade que existe aqui,” completou. Oposição A oposição, por sua vez, culpa o presidente pelos principais problemas econômicos e afirma que ela é a única opção para acabar com a polarização política. “A Venezuela vai às urnas neste domingo em busca da unificação”, disse Jesus Torrealba, um dos principais porta-vozes da Coordenação Democrática, movimento que reúne os partidos e grupos de oposição. Torrealba credita a divisão à política do atual governo. “Todo esse processo começou quando Chávez tomou uma série de medidas econômicas em 2001 sem consultar os atores sociais e econômicos”, afirmou ele. Para ele, o atual presidente venezuelano insuflou a divisão política “como parte de seu projeto para manter o poder”. Na opinião de Margarida Lopez Maia, historiadora e pesquisadora da Universidade Central, a principal vantagem do referendo é que ele vai deixar mais claro qual é o apoio efetivo que cada lado da disputa tem. “Será um resultado nítido e isso talvez nos permita avançar”, espera ela. Apesar disso, Lopez Maia não crê que o referendo resolva os problemas políticos do país, mesmo que não ocorram problemas após o processo. “Ainda assim, creio que poderemos começar um novo capítulo da nossa história.” |
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