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Alta de investimentos no Brasil ainda é 'insuficiente' | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A taxa de investimento no Brasil continuará muito aquém do patamar necessário para se garantir um crescimento sustentável, segundo especialistas ouvidos pela BBC Brasil, apesar da expectativa de aumento para este e os próximos anos. A consultoria GlobalInvest aposta em uma taxa de investimento em relação ao PIB (Produto Interno Bruto) de 20,5% para este ano, acima da projeção feita pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) de 19,7%, mas abaixo do patamar de cerca de 25% considerado ideal. "A recomposição da ociosidade da produção foi muito forte e, com isso, certamente haverá necessidade de investimentos em alguns setores agora no segundo semestre", afirmou o economista Alexsandro Agostini Barbosa. A consultoria Tendências é menos otimista e faz uma projeção de 19,1% ou 19,2% para este ano, abaixo da projeção do Ipea. Desafio principal Já para Dráusio Giacomelli, analista de mercados emergentes da J.P. Morgan, a questão é saber até onde vai essa tendência de aumento. "Os sinais são positivos, mas os níveis de investimento ainda são muitos baixos em relação a níveis históricos", afirma. Depois de dois ou três anos debatendo a questão de como o país poderia voltar a crescer, os analistas apontam agora o aumento do nível de investimento como o principal desafio para o Brasil. Só um nível de investimento maior poderá, na opinião deles, garantir um crescimento sustentável. "É difícil determinar se são necessários 22%, 23% ou 26%. Com certeza, acima de 20% e mais perto dos 25% para se manter uma taxa de crescimento de 5%, que é o que se espera de um país em desenvolvimento", complea Giacomelli. Países emergentes O nível de investimento registrado hoje no Brasil está muito aquém do verificado em outros países emergentes. Em 2002, por exemplo, último ano para o qual o Banco Mundial tem dados completos, o Brasil teve uma taxa de investimento de 18% do PIB. Já o Chile teve um patamar de 23,1%; a Coréia do Sul, de 26%; a Rússia, de 21,1%; e a China, de 40,4%. Para Alexsandro Agostini Barbosa, a explicação está no fato de o Brasil ter uma economia mais vulnerável a crises do que outros países emergentes, devido à grande atração de capital. "Normalmente, os países começam a se recuperar dentro de um ano após a crise. Foi o que aconteceu com o México em 1995, a Ásia em 1997 e a Rússia em 1998. Com o Brasil, não é assim", afirma. Alberto Bernal, chefe de pesquisas para a América Latina da IdeaGlobal, afirma, no entanto, que é preciso ter cuidado ao comparar dados de níveis de investimento do Brasil com os de outros países emergentes. "As economias são muito diferentes. Por exemplo, no caso do Chile, o país conseguiu manter uma taxa de crescimento de 7% por um longo tempo, mas o nível de investimento nunca passou dos 27% do PIB", afirmou. Dráusio Giacomelli, da J. P. Morgan, afirma que os níveis de investimento são maiores onde a rentabilidade é maior, mas que há distinção entre economias estáveis e economias que estão em uma transição de crescimento. "O Chile, por exemplo, é uma economia mais estável. Já a China entrou em um ritmo de crescimento acelerado e hoje tem uma economia superaquecida", afirma. "De qualquer forma", completa, "é justo dizer que essa taxa em um país como o Brasil não deve ser menor do que 20%". Pacote tributário Para Alexsandro Agostini Barbosa, o patamar de 25% considerado o mais ideal só deverá ser atingido depois de 2007. "Até lá, teremos o problema com a falta de investimento na infraestrutura". Mesmo assim, a expectativa da GlobalInvest é de que o investimento aumente ainda mais em 2005 e chegue a um patamar de 21% ou 22%. Na opinião de Barbosa, isso se dará como resultado da própria dinâmica da economia, mas o pacote tributário anunciado pelo governo na semana passada pode ter um impacto positivo. "Principalmente os incentivos para investimento no setor portuário e também o incentivo na área de investimentos, em que o governo reduz a taxação para investimentos em bolsa, tudo isso deverá ter um impacto positivo", afirma. Os outros analistas ouvidos pela BBC Brasil acreditam, no entanto, que o pacote tributário anunciado pelo governo na semana passada dá sinais positivos, mas terá um impacto marginal no nível de investimento. Outros caminhos Para Dráusio Giacomelli, da J.P. Morgan, o que é preciso é uma redução da participação do governo na economia. "O governo tem hoje uma participação na economia de cerca de 40%. O governo é um grande tomador de recursos e acaba expulsando parte do setor privado que poderia estar investindo", afirma. "Eu acho que todos nós estamos esperando para ver um governo menor. Menos concorrência para os recursos privados e, portanto, melhores perspectivas para a rentabilidade das empresas no Brasil", completa. Para Alberto Bernal, o governo precisa continuar mantendo a austeridade fiscal e dando sinais de que, mesmo sendo de esquerda, continuará a defender medidas que favoreçam a economia de mercado. Além disso, segundo Bernal, o Brasil deveria seguir o exemplo da Coréia do Sul, que adotou, ao mesmo tempo, medidas macroeconômicas semelhantes às adotadas pelo Brasil, e projetos de incentivo à educação. "A Coréia implementou programas que tinham como objetivo aumentar a capacidade dos sul-coreanos de se tornarem produtivos e isso só pode ser atingido com níveis adicionais de educação", afirma. |
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