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Proteção do petróleo iraquiano é tarefa difícil | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Pense nos números: os oleodutos do Iraque se espalham por 5.418 quilômetros no deserto. Há outros 1.739 quilômetros de gasodutos e mais 1.343 quilômetros de dutos para combustíveis. No total, são 8,5 mil quilômetros. A maior parte deles está na superfície, expostos, enferrujando e prontos para serem atacados. Além deles, há centenas de tanques de armazenamento, refinarias e poços de extração. "É claro que é vulnerável", admite o coronel Mazin Yousef, comandante da recém-formada Força para Proteção do Petróleo, no sul do Iraque. "Mas o que significa o termo 'vulnerável'? Em qualquer lugar, qualquer um pode fazer qualquer coisa, mesmo se estiver sob a proteção das Forças de Coalizão". US$ 1 bilhão por mês Apenas os oleodutos transportam 2,2 milhões de barris de petróleo por dia para fora do país. Grande parte desse petróleo é transferido para navios por meio de dois terminais marítimos enormes. No último ano, os dois garantiram uma receita de cerca de US$ 1 bilhão por mês para o Iraque. Até a transferência do poder, no fim de junho, forças americanas e britânicas eram as principais responsáveis pela proteção da infra-estrutura de petróleo. Mas agora, gradualmente, o controle está sendo transferido para a força do Coronel Mazin, uma agência de segurança paramilitar que já tem 4,5 mil homens espalhados pelo sul, onde está a maioria das principais instalações de petróleo. Poder "Somos uma força de segurança, não um exército", diz ele. "Se enfrentamos uma situação que não conseguimos resolver sozinhos, chamamos a força multinacional, os britânicos, para ajudar." "No futuro poderá ser a Guarda Nacional Iraquiana, mas estamos aumentando nossa capacidade a cada dia." E essa é a filosofia em que se baseia a estratégia de saída das forças de coalizão: treinar as forças de segurança locais para que possam assumir e desaparecer nas sombras. O coronel Mazin insiste que seus homens são treinados, mas ele também admite que há problemas. "Precisamos mais gente, mais veículos e mais equipamento. Haverá um momento quando o ministério ou o governo do Iraque vai nos apoiar. Mas, por enquanto, há algumas limitações aos nossos esforços", diz. Até agora, eles têm tido sorte. Tem havido dezenas de pequenos ataques aos oleodutos e à infra-estrutura de petróleo. Ladrões furam os oleodutos para contrabandear petróleo; manifestantes têm posto explosivos para chamar a atenção às suas reclamações; e militantes têm atacado a economia nacional para abalar o governo interino do Iraque. Mas tudo perde importância comparado ao único ataque que quase destruiu a peça mais importante dessa infra-estrutura no país: um dos dois terminais marítimos que, juntos, respondem por cerca de 80% das exportações de petróleo do Iraque. Três barcos com atacantes suicidas conseguiram passar pela linha de proteção da Marinha multinacional em abril. Um barco tradicional de pesca explodiu quando uma patrulha naval americana tentou mandar que ele voltasse. E quando as atenções se voltaram para os destroços enfumaçados, dois outros barcos se dirigiram ao terminal em alta velocidade. Eles conseguiram avançar até 30 ou 40 metros do terminal, quando guardas iraquianos atiraram, detonando os explosivos sem causar danos significativos. Desde então, a força-tarefa de navios de guerra dos Estados Unidos, da Grã-Bretanha e da Austrália foi reforçada e, agora, seus sentinelas fortemente armados foram colocados nos terminais. E eles têm muito trabalho. Aprendizado Uma frota de quase 200 pesqueiros pequenos testa a paciência dos navios de guerra com regularidade, penetra na zona de exclusão e é perseguida até sair. É um trabalho que, um dia, será feito pela Guarda Costeira Iraquiana, ainda incipiente. Os novos recrutas ainda estão aprendendo como lidar com toda a sua frota de cinco barcos patrulhas desarmados. "Vai demorar uns cinco ou dez anos para que se tenha barcos em número suficiente", disse o subcomandante da Guarda Costeira, Capitão Thamir. "Precisamos de fragatas, talvez dez delas, e muito equipamento como radar e comunicação". "Mas a gente também aprende rapidamente, então, se Deus quiser, em breve seremos capazes de fazer o trabalho." O comandante da força-tarefa, o capitão americano Jeff Niner, admite que ainda vai demorar muito tempo para que os iraquianos montem esse tipo de defesa. Mas ele argumenta que talvez eles não precisem. "A esperança e a expectativa são de que não teremos que enfrentar esse tipo de ameaça para sempre nem ter a necessidade desse grau de segurança", disse ele. Mas está implícito nisso que os políticos têm que fazer sua parte, reduzindo a insurgência para diminuir a pressão sobre os serviços de segurança iraquianos. Dada a onda recente de explosões e seqüestros, porém, a temperatura parece estar aumentando. |
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