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Atualizado às: 28 de julho, 2004 - 18h45 GMT (15h45 Brasília)
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Candidatos nos EUA usam humoristas para escrever discursos

George W. Bush e assessores na Casa Branca
Bush costuma fazer piadas a respeito de si mesmo
Ser engraçado nem sempre foi um requisito para ocupar a Presidência dos Estados Unidos, mas, de acordo com especialistas na área, se tornou uma peça fundamental nas campanhas políticas contemporâneas.

Em uma época em que a população não coloca mais os políticos em um pedestal, uma piada bem contada é uma boa forma de mostrar que um candidato é "gente como a gente".

Não por acaso, desde os tempos de Ronald Reagan, vários candidatos a presidente vêm contratando humoristas profissionais para escrever piadas que vão fazer parte de seus discursos e declarações.

O mais provável é que um deles esteja trabalhando agora mesmo na preparação do aguardado discurso do candidato democrata a presidente, John Kerry, na convenção de seu partido em Boston.

O humor de Ronald Reagan
 Eu dei ordens para ser despertado a qualquer momento durante emergências nacionais, mesmo se eu estiver em uma reunião de gabinete
"As pessoas ainda precisam conhecer Kerry, então as piadas são realmente importantes para ele”, diz Kenneth Baer, que foi autor de discursos da campanha do também democrata Al Gore, em 2000.

"O humor é que vai ajudar a fazer as pessoas se identificarem com ele, e é isso que ele precisa neste momento."

Autodepreciação

Kerry tem um ar aristocrático e é visto como distante e pouco carismático – então pode estar especialmente na necessidade de um consultor humorístico.

O humor de George W. Bush
 Ele escreveu um livro em Yale. Eu li um.

O mesmo não ocorre com seu rival na campanha pela Casa Branca, o atual presidente, George W. Bush, famoso por peças de humor voluntário e involuntário.

Na opinião de Baer, o humor autodepreciativo é a melhor arma que um político pode dispor para ganhar a simpatia do público.

Bush não é estranho a este tipo de estratégia – ele costuma aludir, por exemplo, a sua fama de estudante mediano.

"Ele escreveu um livro em Yale", disse certa vez, referindo-se a um ex-colega. "Eu li um."

Em outra oportunidade, brincou com sua suposta falta de domínio da língua ao fazer um comentário a respeito de um jogador de hóquei tcheco de uma equipe de Denver.

O humor de John Kerry
 Você sabe, ele e eu temos muito em comum. O nome dele é John, e o meu é John. Ele é advogado, eu sou advogado. Ele foi escolhido 'o político mais sexy' pela revista People. Eu leio a revista People.

"Ele usa um tipo único de inglês para confundir os adversários. Parece com a estratégia que eu uso nas entrevistas para a imprensa."

Kerry tem procurado fazer algumas incursões neste terreno ainda pouco habitual para ele, por exemplo no seguinte comentário a respeito de seu companheiro de chapa, John Edwards.

"Você sabe, ele e eu temos muito em comum. O home dele é John, e o meu é John. Ele é advogado, eu sou advogado. Ele foi escolhido 'o político mais sexy' pela revista People. Eu leio a revista People."

Pela culatra

Mas o uso de piadas também pode ter resultados adversos para os políticos americanos.

Bush, por exemplo, foi criticado por brincar com o fato de que as supostas armas de destruição em massa do Iraque ainda não foram encontradas.

"Elas deveriam estar aqui em algum lugar", brincou o presidente, enquanto mostrava a repórteres fotos de si mesmo procurando alguma coisa debaixo de sua mesa na Casa Branca.

"Foi como fazer uma piada sobre Aids", afirma Doug Gamble, que era o escritor de piadas de Reagan, um dos presidentes que melhor uso fez do humor durante sua carreira política. "Não se brinca com armas de destruição em massa."

Kerry também tropeçou recentemente ao incorrer em outra tentação comum a um político, mas não muito bem vista pelo público – tirar sarro de seus adversários.

Quando Bush se machucou ao cair de bicicleta, o democrata não resistiu e sapecou: "Será que eles tiraram as rodinhas?".

A tirada não pegou bem. "O melhor é optar pela autodepreciação", recomenda Kenneth Baer.

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