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Kerry busca reforçar 'união' democrata em convenção | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Os ativistas democratas e os delegados presentes à convenção partidária em Boston estão à esquerda dos eleitores democratas, para não dizer dos americanos em geral. O espetáculo coreografado esta semana para consagrar o candidato John Kerry poderia facilmente se transformar em uma estridente ladainha anti-Bush, mas o comando partidário está fazendo o possível para moderar o tom, enquanto a campanha republicana insiste na tecla de que Kerry está à esquerda do padrão americano. Bom comportamento é essencial para atrair eleitores moderados e indecisos. A base mais exaltada dos democratas não nutre uma paixão avassaladora por John Kerry, mas a bandeira de luta foi fincada no começo do ano, quando a corrida das primárias deixou para trás o raivoso Howard Dean. Como lembrou acidamente o Wall Street Journal, em editorial nesta segunda feira, a palavra de ordem dos democratas é Anybody But Bush (qualquer um menos Bush). De certa maneira, Kerry é o "qualquer um". Venceu as primárias porque não era Dean e agora o partido cerra fileiras em torno dele porque não é Bush. Desconsolo É um pouco desconsolador para um candidato ser visto nestes termos, mas é um sinal dos tempos nesta temporada eleitoral polarizada. Obviamente Kerry e o partido esperam que a convenção tenha algumas utilidades básicas: fazer com que o candidato passe a ser conhecido pela massa que não acompanha o dia-a-dia da campanha e servir para recarregar as baterias dos ativistas. Mas a missão deve ser empreendida com esta mensagem de união. E, de fato, é uma proeza abafar dissidência, desilusão e mesmo rancor com o rumo do partido. A última coisa que os democratas precisariam hoje é a repetição do espetáculo da convenção de Chicago em 1968. Foi a última convenção realizada com o pano-de-fundo de uma guerra (na ocasião era o Vietnam). Ativistas de esquerda marcharam pelas ruas de Chicago insatisfeitos com a escolha do candidato Hubert Humphrey, uma figura do establishment do partido. A polícia do prefeito democrata Richard Daley não perdoou e espancou os manifestantes. Dentro do plenário, era a denúncia de que parecia a Gestapo em ação. A pancadaria e as divisões entre os democratas deram uma força para o candidato republicano Richard Nixon. Favor Este ano é bem diferente. A ofensiva eleitoral deve ser incisiva, porém asséptica. Líderes democratas podem até gostar das travessuras de Michael Moore, mas não querem uma associação direta com o incêndio gerado pelo filme Fahrenheit 11 de Setembro. E na dinâmica interna do partido, Howard Dean se converteu em um disciplinado soldado de campanha, com os apelos para que o independente Ralph Nader abandone a corrida e assim não contribua para uma vitória de Bush em novembro como aconteceu há quatro anos. As indicações são de que a polarização em torno do atual presidente é mais intensa do que aquela que marcou a era Nixon e parece um subproduto natural das paixões envolvendo os dias de Bill Clinton. Os democratas têm esta dívida de gratidão com Bush. Ele foi vital para unir o partido. Para John Kerry, o outro, restou um grande desafio: conciliar o sentimento negativo anti-Bush com uma empolgante mensagem positiva. Tirar partido da primeira parte foi bem mais fácil. |
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